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sábado, 23 de agosto de 2014

Filme do Dia: Metido em Encrencas (1988), MIke Nichols


Metido em Encrencas (Biloxi Blues, EUA, 1988). Direção: Mike Nicohls. Rot. Adaptado: Neil Simon, baseado em sua própria peça. Fotografia: Bill Butler. Música: Georges Delerue. Montagem: Sam O’Steen. Dir. de arte: Paul Sylbert. Figurinos: Ann Roth. Com: Matthew Broderick, Christopher Walken, Corey Parker, Matt Mulhern, Mitchell Dolan, Penelope Ann Miller, Park Overall.
     Na Segunda Guerra Mundial, Eugene (Broderick), com tendência para escrever, é deslocado de Nova York para Biloxi, Mississipi, onde deverá preparar-se para participar na ofensiva à Europa nazi-fascista. Seu melhor amigo torna-se o efeminado e também judeu Epstein (Parker). Ambos são vitimas da raiva do sargento Toomey (Walken), que sente-se humilhado com a origem e aparente superioridade intelectual de seus subordinados. Também fazem parte do batalhão o ignorante Henessey (Dolari) e um defensor dos judeus de origem irlandesa, Wykowski (Mulhern). Constantemente vítima da ira do sargento, Epstein possui uma lógica que sempre surpreende o batalhão. Quando o sargento forja um furto, Epstein declara-se culpado por não concordar com as técnicas de brutalização do sargento, acreditando antes que os soldados deveriam ter  a moral e a auto-estima elevadas e não serem vítimas de humilhação. Como resultado ele permanece no batalhão enquanto os outros saem de licença no final de semana e vão divertir-se em um cabaré, com a prostituta Rowena (Overall), de quem Wykowski consegue fugir, enquanto Eugene é pegue de surpresa quando volta para buscar o quepe que havia esquecido. No mesmo dia, encontra uma garota por quem viverá seu primeiro amor, Daisy (Miller). Porém o dia onírico transforma-se num inferno ao chegar no dormitório e descobrir que Hannesey tomara de conta de seu diário e lera o que ele pensava de quase todos. Entre elogios e alfinetadas, todos ficam surpreendidos com os eleogios que tece ao próprio Hannesey e sua quase certeza sobre a homossexualidade de Epstein, que o deixa magoado. Quando o sargento flagra dois recrutas em ato sexual  no banheiro, a suspeita logo recai sobre Epstein, embora posteriormente seja descoberto pelo único soldado que havia sido reconhecido pelo  sargento que o parceiro desse fora Wykowski que é imediatamente afastado. Extremamente alcoolizado, Tooney tenta fazer Epstein de vítima para sua tortura psicológica. De arma em punho, quer que ele vá ter uma conversa à sós com ele. Eugene fica como voluntário, enquanto Epstein corre desesperado a procura de ajuda.  Tooney, já sabendo que seu futuro no Exército encontra-se comprometido com sua precoce passagem para reserva, decide que pretende realizar uma espécie de último desejo: tentar incutir a fibra militar que faltava aos dois resistentes, Eugene e Epstein. No final, com a arma apontada contra si, Epstein reage, o que desperta a satisfação do sargento, que já não mais se importa de humilhar-se em frente ao recrutas, obedecendo ao pedido de Epstein para que faça 200 flexões (o que ele constantemente fazia com os recrutas) na chuva.
Apesar de toda a previsível tolice sentimental que é marca registrada de Simon (que teve dezenas de adaptações para o cinema), Nichols em não poucos momentos conseguiu extrair leite de pedra, retratando com uma inesperada dignidade e sensibilidade o universo masculino nesse filme, que se situa entre os bastidores da guerra e o filme juvenil de iniciação. Para tanto bastam os bons diálogos, um bom  senso de ritmo e uma equilibrada direção de atores para construir uma atmosfera envolvente e profundamente nostálgica e agridoce. Expurga, em último momento, o que há de mais amargo e faz tornar-se relevante apenas a própria atenuação dos rancores com o passar do tempo, evidente em seu redentor final, como em A Era do Rádio de Allen, ainda que destituído do caráter idiossincrático do mesmo. Porém mesmo com o apurado faro de Nichols para adaptações teatrais (caso de seu melhor filme, Quem Tem Medo de V. Woolf?), distanciando-se por exemplo das simplesmente vulgares adaptações de Simon por Herbert Ross, o filme acaba vencido pelos limites moralizantes da banal mensagem que pretende transmitir, em última  instância, a da lição de vida que o sargento prega no recruta, ao fazer com que ele compulsoriamente tenha que agir com determinação, que resvala no mais deslavado clichê, além de extremamente superficial para servir como modelo para transformação do caráter do personagem que pretende. Para uma visão menos superficial, mais densa e menos sentimental dos bastidores de outra guerra, a do Vietnã, O Exército Inútil (1983), de Robert Altman, também baseado em peça teatral. Rastar Pictures. 106 minutos.


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