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quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Filme do Dia: O Discurso do Rei (2010), Tom Hooper


O Discurso do Rei (The King´s Speech, Reino Unido/Austrália, 2010). Direção: Tom Hooper. Rot. Original: David Seidler. Fotografia: Danny Cohen. Música: Alexandre Desplat. Montagem: Tariq Anwar. Dir. de arte: Eve Stewart & Netty Chapman. Cenografia: Judy Farr. Figurinos: Jenny Beaven. Com: Colin Firth, Geoffrey Rush, Helena Bonhan-Carter, Guy Pearce, Michael Gambon, Derek Jacobi, Timothy Spall, Claire Bloom, Eve Best.

O Príncipe George (Firth), após inúmeras tentativas de tentar se livrar da gagueira, busca por influência de sua esposa, Elizabeth (Carter), a ajuda de Lionel Logue (Rush). Apesar dos progressos iniciais, George rompe com Logue por conta da excessiva intimidade que esse demonstra, tocando em pontos fracos de um homem que se encontra em vias de se tornar rei, já que seu irmão, Edward (Pearce), abdicou  da Coroa após a morte do pai (Gambon), para se casar com uma mulher divorciada duas vezes, Wallis Simpson (Best). Quando se encontra em vias de ser coroado e também no primeiro discurso à nação, ele volta  a buscar o apoio de Logue.

Irritantemente calculista em sua concepção de “tudo em seu lugar”, inclusive as pequenas “gags” construídas a partir da forma condescedente e populista, para não dizer inverossímil como é construída a amizade entre Lionel e o Príncipe tornado Rei. Da cena em que o Rei humilha o “filho de um cervejeiro”, construída tendo como base uma profundidade de campo enorme para tornar mais dramática a melancolia e empatia para com o simpático homem comum dotado de extremo bom senso ao psicologismo barato que vai tentar explicar as raízes da gagueira de George, ou Bernie, como apenas Lionel e os muito íntimos possuem o privilégio de chamá-lo, tudo é demasiado clichê para se tornar estimulante. A música ocupa um papel fundamental enquanto comentário que ainda realça  o que há de redundante no filme. Ainda que o seu final apresente a  vitória de George diante da gagueira, como evidente aceno de superação de um trauma relacionado à própria infância e a babá que cuidava dele, ao menos deixa claro que Logue permaneceu ao lado do Rei ao longo de todos os discursos que proferiu desde então, como numa piscadela de verosimilitude para o espectador contemporâneo. Destaque para o notável Derek Jacobi como coadjuvante encarnando o Arcebispo de Canterbury, seguindo a tradição de produções do gênero, que reserva a grandes atores de teatro um papel  bastante marcado em sua tipificação. The Weinstein Co./UK Film Council/Bedlam Prod. Para The Weinstein Co. 118 minutos.

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