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segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Filme do Dia: Coração Fiel (1923), Jean Epstein

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Coração Fiel (Couer Fidèle, França, 1923). Direção: Jean Epstein. Rot. Original: Jean Epstein & Marie Epstein. Fotografia: Léon Donnot, Paul Guichard & Henri Stuckert. Com: Léon Mathot, Gina Manés, Edmond van Daële, Claude Benedict, Madame Mayfroy, Marie Epstein.
Marie (Manés) deseja fugir de seu emprego em um bar decadente e do amante alcóolatra e truculento que a explora, Little Paul (Daële), a quem foi entregue pelos próprios pais adotivos para quem trabalha, e juntar-se a Jean (Mathot), estivador do porto, que a respeita e ama. Little Paul e Jean se enfrentam. Um policial flagra a briga, Little Paul consegue fugir, mas Jean é preso. Quando sai da prisão e volta ao bar, fica sabendo que Marie vive com Little Paul e possui um filho com problemas de saúde. Ele passa a visita-la furtivamente, quando Little Paul se encontra fora, auxiliado por uma aleijada (Epstein) vizinha, mas uma mulher da região do porto conta a Little Paul sobre o caso vivido pela mulher, e que, determinado dia, ele se encontra lá. Little Paul vai até a casa e uma nova briga ocorre entre os dois, com a morte dele.
Epstein, em seu segundo longa ficcional, une sua trama, próxima de aspectos do naturalismo que voltarão a ser enfatizados por realizadores vinculados ao Realismo Poético na década seguinte (Renoir, Carné) a flertes com a montagem dinâmica de Abel Gance, cujo filme recém-lançado A Rua se tornaria marcante influência. Aqui tal dinâmica se apresenta sobretudo em uma sequencia em um parque de diversões, porém o que talvez chame mais atenção seja o precoce talento visual do realizador para extrair belas imagens de soluções visuais simples, mais originais e de grande impacto estético, como o momento em que Jean se encontra no cais com o mar ao fundo. Faz uso de diversas fusões em branco nada discretas que antecipam em décadas as ainda menos discretas efetuadas por Bergman em vermelho (com Gritos e Sussuros). Por mais que a personagem de Marie, vivida pela dona de um expressivo olhar que é Manés, não fuja muito do padrão vitimizado da produção corrente – aliás o próprio filme como um todo, em termos dramáticos, à parte talvez uma exploração mais crua de aspectos da vida de seus personagens, não se afasta tanto de dramas amorosos produzidos então nos Estados Unidos, ela também apresenta um movimento que vai além da mera passividade, ao buscar o amor de Jean. A irmã do realizador faz o papel da aleijada. Pathé. 83 minutos.


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