CONTRA O GOLPE CIVIL-MIDIÁTICO-JUDICIÁRIO EM CURSO E PELO RETORNO DA DEMOCRACIA

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Filme do Dia: O Homem Nu (1968), Roberto Santos

Resultado de imagem
O Homem Nu (Brasil, 1968). Direção: Roberto Santos. Rot. Adaptado: Roberto Santos & Fernando Sabino, baseado no conto de Sabino. Fotografia: Hélio Silva. Música: Rogério Duprat. Montagem: Silvio Reinoldi. Dir. de arte: Romeu Camargo. Com: Paulo José, Leila Diniz, Esmeralda Barros, Irma Alvarez, Ana Maria Nabuco, Osvaldo Loureiro, Íris Bruzzi, Ruth de Souza, Jofre Soares, Milton Gonçalves.
         Conhecedor do folclore brasileiro, o professor Sílvio Proença (José) decide ir a São Paulo, participar de um congresso sobre o tema, deixando a esposa, Mariana (Diniz), no Rio. Porém, impossibilitado de partir, vai dormir com um grupo de boêmios que casualmente encontra no aeroporto, na residência de Marialva (Barros). No dia seguinte, a porta bate quando vai pegar o pão no corredor e ele fica completamente nu. A partir daí começa uma longa e cansativa tentativa de voltar a se vestir que passa por um armário, uma sauna, moradias improvisadas de miseráveis, oficina mecânica e a praia. Ao retornar para casa, flagra a mulher com um amante, Gibson (Forster) e expulsa-o, igualmente nu, da casa. Gibson, no entanto, consegue tirar proveito do fato junto à mídia.

Tendo como mote uma situação típica de pesadelo – como comédia de erros que gira em torno de um único desejo, pode ser traçado um paralelo  com Depois de Horas, de Scorsese – e tendo como protagonista o mais insuspeito tipo classe média, o filme, mesmo com alguns momentos inspirados, encontra-se distante do episódio dirigido por Santos para As Cariocas, mesmo sendo bem superior a refilmagem de 1997. Ao contrário da versão de Carvana, que apenas se limita a tentar extrair humor do fato em si, o filme consegue traduzir melhor a subliminar dimensão que vai além da mera crônica de costumes (especialidade do produtor Fernando de Barros, enquanto cineasta) e enfatiza a rápida transformação de um ser repleto de cultura em um semi-selvagem ansiando pelas necessidades mais básicas. Repleto de episódios irônicos (um deles, em que o protagonista se encontra no veículo de um taxista aloprado seria revivido em Cronicamente Inviável),   faz uso, a certo momento, de fotos fixas, recurso muito utilizado na produção autoral européia contemporânea. Acaba sendo prejudicado principalmente por sua falta de concisão. Paulinho da Viola e o próprio cineasta aparecem em pontas. Wallfilmes/Pel-Mex. 118 minutos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário