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domingo, 22 de outubro de 2017

Filme do Dia: Garrincha, Alegria do Povo (1962), Joaquim Pedro de Andradew

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Garrincha, Alegria do Povo (Brasil, 1962). Direção: Joaquim Pedro de Andrade. Rot. Original: Joaquim Pedro de Andrade, Luiz Carlos Barreto, Mário Carneiro, David Neves & Armando Nogueira. Fotografia: Mário Carneiro. Música: Carlos Lyra & Severino Silva. Montagem: Joaquim Pedro de Andrade & Nello Melli.

Esse longa-metragem de estréia de Andrade, produzido no auge do encantamento com o povo brasileiro, mesmo observando o futebol como válvula de escape para o trabalhador agüentar o rojão da semana, algo enfatizado em suas imagens finais que apresentam o fim do encantamento e a volta a dura realidade já a partir dos serviços de transporte urbanos lotados, não apela, no entanto, para o julgamento moral depreciativo e simplista de defini-lo como mera alienação das massas. Aliás, mesmo que suas imagens sejam predominantemente dessas, a determinada ocasião não deixa de enfatizar uma elite, em seu nicho específico, observando e aplaudindo de modo mais contido o espetáculo. Não parece propriamente haver uma linha a ser seguida, passando-se de imagens da Copa de 1962 para as de 1958 e mesmo, de um momento para outro, a fazer alusão ao surgimento do Maracanã e a inesquecível derrota de 1950. Entre as cenas de bastidores, encontra-se uma interessante seqüência que aparece o treinamento físico dos jogadores do Botafogo em que a montagem breve dos planos, os gestos sincronizados dos jogadores e  uma trilha musical ao fundo (do filme evidentemente) de Bach acabam compondo um conjunto interessante. Noutro, talvez mais inusitado, surge Garrincha entre suas sete filhas dançando twiste na casa de Pau Grande e jogando pelada com os amigos de sempre. O documentarista forja uma situação de Garrincha andando pelas ruas do centro do Rio de Janeiro, segundo o narrador do alto de uma janela de um prédio – algo que se demonstra evidentemente inverídico quando se observa os planos mais próximos de Garrincha nas proximidades do banco que financiou o filme, o que talvez demosntre que seu reconhecimento em massa tenha igualmente a ver com a presença da câmera. Em outro momento um ortopedista apresenta, através de radiografias, no que consiste a particularidade das famosas “pernas tortas” do jogador. O realizador está longe da inventividade e desenvoltura de sua ficção de estréia, Couro de Gato, do mesmo período, incorporado posteriormente ao longa Cinco Vezes Favela. Armando Nogueira Prod. Cinematográficas/Luiz Carlos Barreto Prod. Cinematográficas. 60 minutos.

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