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sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Filme do Dia: Violette (2013), Martin Provost

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Violette (França/Bélgica, 2013). Direção: Martin Provost. Rot. Original: Martin Provost, Marc Abdelnour & René de Ceccatty. Fotografia: Yves Cape. Música: Hugues Tabar-Nouval. Montagem: Ludo Troch. Dir. de arte: Thierry François. Cenografia: Catherine Jarrieur-Prieur. Figurinos: Madeline Fontaine. Com: Emmanuelle Devos, Sandrine Kiberlain, Olivier Gourmet, Catherine Hiegel,  Jacques Bonnaffé, Olivier Py, Nathalie Richard, Stanley Weber.
Anos 1940. De origem humilde, Violette Leduc (Devos) é uma insegura escritora não publicada que, incentivada pela estrela literária em ascensão Simone de Beauvoir (Kiberlain) tem seu primeiro livro publicado pela editora Gallimard. Apaixonada obcecadamente por Beauvoir, que se intimida com sua obsessão mas respeita seu talento literário e sua gana em expressar a sexualidade feminina de forma pouco habitual, Violette sofre com a solidão e constante instabilidade emocional que a vincula sobretudo a mãe Berthe (Hiegel). Ela vivencia ao longo dos anos uma relação tensa com Beauvoir, a quem é ao mesmo tempo agradecida e recriminatória por ter incentivado sua carreira e de quem observa as glórias literárias e mentiras condescendentes – como o fato de afirmar que Gallimard está lhe proporcionando uma pensão, quando ela afirma a própria Simone se tratar dela. Incapaz de vivenciar sua afetividade de maneira estável, Violette se envolve em relações que afetivamente não lhe preenchem, como a que estabelece com um trabalhador casado (Weber).

É impossível não se sair com sensação de déja vù de uma produção como essa, dada a recorrência de biografias  de celebridades, em sua maior parte antenadas ao mundo artístico, que o cinema francês produziu nos últimos anos e que se beneficiam quase que única e exclusivamente da curiosidade sobre os bastidores de figuras centrais (ou periféricas, como no caso) da cena cultural de um determinado local e período. Se o filme corretamente não explora a morte (somente citadas nas habituais cartelas finais) ou momentos dramáticos da trajetória de Leduc de forma gratuita, tampouco consegue emplacar uma aproximação de seus personagens que vá além da média de tais produções. Há aquela triste nuvem que parece pairar habitualmente sobre a representação de um determinado círculo de artistas célebres que torna suas encarnações algo empostadas e triviais como os cenários e figurinos de época e a qual aparentemente somente produções que fogem desse perfil de cinebiografia conseguem se esquivar (como Jarman em seu Wittgenstein, por exemplo). E, complicando ainda mais, ocorre na representação da própria dupla central do filme caracterizações que tendem ao caricato,  seja no caso da mulher tensa, atrapalhada e emocionalmente imatura como se torna a Violette de Devos ou na da mulher segura de si, distanciada e controladora que é Beauvoir, sendo no caso da última tal tom monocórdico se tornado ainda mais engessado e pouco dinâmico. As questões suscitadas pelas limitações, vicissitudes e valores da complexa personalidade de Violette são, sem dúvida, envolventes. Porém, mais enquanto si mesmas que propriamente da maneira que expressas pelo filme. Destaque para a cena na qual Genet realiza uma produção experimental que faz uma referência jocosa a célebre sequencia do carrinho de bebê na escadaria de Odessa de O Encouraçado Potemkin. TS Prod./France 3 Cinéma/Climax Films para Diaphana Films. 139 minutos.

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