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sábado, 14 de outubro de 2017

The Film Handbook#146: Rob Reiner

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Rob Reiner
Nascimento: 06/03/1945, Nova York, EUA
Carreira (como diretor): 1984-

Até estabelecer um estilo consistente, Robert Reiner é, no entanto, um dos mais promissores diretores de comédias a emergir da América nos anos recentes. Filho do ator-roteirista-diretor cômico Carl Reiner, ele primeiro se tornou conhecido por suas aparições regulares na série de tv Tudo em Família/All the Family, porém foi sua estreia em longa-metragem Isto é Spinal Tap/This is Spinal Tap>1 que revelou um privilegiado novo talento na direção. Uma sátira de documentário de rock seguindo a nada ilustre turnê americana de uma banda britânica de heavy metal ficcional (mas inteiramente crível), o filme é notável tanto pela precisão de sua paródia dos métodos do documentário de Cinema Direto quanto por sua apaixonada e profunda sátira sobre os excessos da indústria da música: a artificialidade das festas promocionais, as letras vulgares e sexistas e a pose pretenciosas dos músicos, assim como as intrigas mortíferas entre banda e empresariado, todas observadas em no genuíno estilo Direto. Menos original e divertido, mas outra vez notável por uma manipulação hábil dos atores foi A Coisa Certa/The Sure Thing, uma comédia road-movie admiravelmente livre das grosseiras insinuações de duplo sentido da maior parte dos dramas românticos adolescentes.

A mais apaixonada obra de Reiner até o momento, no entanto, foi Conta Comigo/Stand by Me>2 uma sutil comédia sobre os ritos de passagem para a adolescência, baseado em um conto de Stephen King, no qual quatro garotos de doze anos despendem um arrastado e calorento final de semana de verão, em 1959, procurando pelo corpo de outro rapaz. O humor permanece a força dominante do filme enquanto segue as aventuras do grupo - um encontro com um cão feroz, discussões sobre o porque da série televisiva Caravana/Wagon Train nunca ir para lugar nenhum, ruídos sinistros de animais na floresta à noite - enquanto Reiner, de modo sutil e não sentimental, transforma a odisseia numa elegia da camaradagem juvenil, marcada pela mortalidade (o irmão de um dos quatro morreu recentemente) e confusão sobre os equívocos da vida adulta (um é vítima de engano do professor, outro é equivocadamente considerado um delinquente). Caracterizado intensamente, pungente e nostálgico, repleto de palavras de baixo calão e divertido, o filme é uma pequena joia. Desapontadoramente, no entanto, A Princesa Prometida/The Princess Bride, um atraentemente exagerado, mas irregular, conto de fadas sobre piratas, monstros e feiticeiro ficou a meio caminho entre a habitual paródia e a sincera fantasia infantil.

A despeito da natureza modesta de seus filmes até o momento, Reiner tem se estabelecido tanto como um diretor especialista em atores quanto como artista cômico cuja postura em relação aos seus personagens é entusiasmada, mas nunca paternalista. Seu toque é incomumente leve e modesto - qualidades muito frequentemente ausentes da comédia contemporânea para grande público.

Cronologia
 Os filmes de Reiner são menos precipitados que os de seu pai, um colaborador de longa data de Mel Brooks. De fato, seria mais relevante comparar seu humanismo ao estilo antigo com, digamos, Ritchie ou Demme.

Destaques
1. Isto é Spinal Tap, EUA, 1984 c/Christopher Guest, Michael McKean, Harry Shearer

2. Conta Comigo, EUA, 1986 c/Will Wheaton, River Phoenix, Corey Feldman, Jerry O'Connell

Texto: Andrew, Geoff. The Film Handbook. Londres: Longman, 1989, p. 236.