CONTRA O GOLPE CIVIL-MIDIÁTICO-JUDICIÁRIO EM CURSO E PELO RETORNO DA DEMOCRACIA

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Filme do Dia: Fahrenheit 11 de Setembro (2004), Michael Moore

Resultado de imagem

Fahrenheit 11 de Setembro (Fahrenheit 9/11, EUA, 2004). Direção e Rot. Original: Michael Moore. Fotografia: Mike Desjarlais, Kirsten Johnson & William Rexer. Música: Jeff Gibbs & Bob Golden. Montagem: Kurt Engfehr, Todd Woody Richman & Chris Seward. Dir. de arte: Dina Varano.
Seu estilo grandemente pop e seu tom marcadamente panfletário e efetivado no calor do momento trai suas intenções tanto ideológicas quando mercadológicas. Nesse sentido, Moore apenas repete a fórmula já presente nos seus documentários realizados para a  televisão e em Tiros em Columbine. Longe dos distúrbios no Iraque, o retrato que o cineasta traça da guerra está distante da crueza densa das imagens de Corações e Mentes (1974), de Peter Davis, célebre documentário sobre o Vietnã. Aqui, pelo contrário, trabalha-se sob a chave de um engenhoso orquestrador de imagens –algumas delas retiradas de filmes ficcionais como Nosferatu (1922), de Murnau – que tem o intuito explícito de servir como contra-propaganda a George W. Bush, ainda que para tal não hesite em apelar, em certos momentos, para um populismo de efeito fácil. Tudo que foge dessa linha é deixado de lado. Como todo fato histórico é bem mais complexo do que a facilidade com que tudo se encaixa no discurso narrativo anti-republicano que o filme propõe, foi acusado de uma série de inconsistências. O resultado final, no entanto, talvez seja menos inspirador por conta de tais falhas, que se diluem  na quantidade de fatos que o filme evoca, do que por apenas reforçar muito do tom crítico que a própria imprensa fora dos EUA já há muito apontava. Seu impacto para um público médio não americano é, portanto, amortizado. Mesmo com todas suas falhas, parte delas geradas pela própria insensibilidade do realizador para com algumas das “personagens” que propõe ser simpático – como quanto utiliza da dor materna pela perda de um filho na guerra como mero gancho para mais uma de suas performances – o filme possui suas virtudes.  Talvez seu melhor momento seja quando membros do Exército americano procuram aliciar jovens com promessas de um futuro melhor. Ou ainda a gravação sobre a falta de reação de Bush no momento em que é avisado dos ataques terroristas, continuando a ler uma história infantil para as crianças de um grupo escolar. O próprio atentado, que o filme sugere ter servido como pretexto para uma política de “tolerância zero” aos direitos civis, serve, de modo similar no filme,  para pensar no que o país se transformou. Nesse sentido, Moore faz uso do escurecimento da imagem no momento do choque do segundo avião (recurso que aliás já havia sido utilizado no episódio de Alejandro González  Iñárritu para o filme coletivo 11/9, na única imagem que faz alusão direta ao ataque), não buscando explorar igualmente  as já demasiado exploradas narrativas de parentes de vítimas. Sua maior virtude, entretanto, talvez seja a de ser um testemhunho de sua época tanto no retrato que traça da paranoia e manipulação de dados ocorrida pós-11 de setembro nos EUA, quanto em termos de sua própria construção narrativa e apelo de mercado, fator indissociável para quem pretende ir além do tradicionalmente reduzido segmento documentário. A utilização da referência direta ao livro de Ray Bradbury, adaptado por Truffaut para o cinema em 1966, gerou protestos do autor. Palma de Ouro em Cannes. Miramax Films/Dog Eat Dog Films/Fellowship Adventure Group/Lions Gate Film. 122 minutos.


Nenhum comentário:

Postar um comentário