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sábado, 28 de outubro de 2017

Filme do Dia: Janaína, a Virgem Proibida (1972), Olivier Perroy


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Janaína, a Virgem Proibida (Brasil, 1972). Direção, Rot. Original e Fotografia: Olivier Perroy. Música: Egberto Gismonti. Montagem: Olivier Perroy & Silvio Renoldi. Com: Ronnie Von, Marlene França, Raul Cortez, Cyl Farney, Olívia Salles, Cynira Arruda, Luiz Lopes Correa, Mara Duval.

Ricky Ricardo (Von), no auge de seu sucesso como cantor pop, decide abandonar o estrelato, as pressões dos fãs e do empresário Tony Morely (Farney) e a família, composta por uma mãe dominadora (França) e um irmão cruel, Raul (Cortez), que acredita ter assassinado, para morar na Bahia, onde acolhido por prostitutas, apaixonar-se-á pela enigmática Janaína (França). Janaína, no entanto, desaparecerá misteriosamente nas águas do mar. Tony o reencontra e tenta faze-lo voltar à carreira, levando Raul consigo. Ricky, no entanto, prefere buscar por Janaína e também desaparece.

Mesmo integrado a uma filmografia que ficou conhecida popularmente como pornochanchada, dirigindo ainda nessa linha A Infidelidade ao Alcance de Todos (1972) e Efigênia Dá Tudo Que Tem (1975), o filme em questão não parece se enquadrar perfeitamente aos moldes desse modelo ou de qualquer outro. Pelo contrário, sua falta de propósito faz com que trafegue entre modestas cenas picantes de nudez, que poderia se enquadrar ao gênero, ou apontam para algo calcado na persona de galã-cantor de Von em seu prólogo, mas fica apenas com o primeiro adjetivo de seu protagonista, explorado em longos closes que tiram partido de seus olhos verdes, sendo o afastamento do mundo artístico uma impossibilidade de ter essa faceta. Sobra então longos planos da corte amorosa do casal principal, referências rasteiras ao mundo dos cultos afro-brasileiros e a capoeira, uma visão idílica de um Nordeste de pessoas “simples” como afirma o cantor e uma tentativa de embasar a crise do personagem a um edipianismo mal curado (a atriz que vive a mãe é a mesma que viverá Janaína). Precariamente amador, chegando ao cúmulo de ter sequências inteiras filmadas com uma câmera de visor sujo, o que apenas pode chamar a atenção nesse filme é involuntariamente uma certa liberdade irresponsável que surge de tanta improvisação e falta de foco em relação à narrativa. Cinidistri/Olho Fotografia e Cinematografia. 85 minutos.

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