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sexta-feira, 28 de julho de 2017

The Film Handbook#137: Stanley Donen


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Stanley Donen
Nascimento: 13/04/1924, Columbia, Carolina do Sul, EUA
Carreira (como diretor): 1949-1984

SE é difícil dizem quem fez o que nos filmes co-dirigidos por Stanley Donen e Gene Kelly, basta somente se observar a obra que fizeram separadamente para se ter certeza que Donen fornecia a elegância visual dos filmes, enquanto o ebuliente estilo clássico do dançarino foi o perfeito realce para o gosto de Donen pelo romance leve.

Antigo dançarino e coreógrafo da Broadway, o encontro inicial de Donen com a MGM foi enquanto coreógrafo em uma série de musicais, incluindo Modelos/Cover Girl, Marujos do Amor/Anchors Aweigh e A Bela Ditadora/Take Me Out to the Ball Game, o último dos quais co-roteirizou e parcialmente dirigiu com Kelly. Sua estreia propriamente como diretor, no entanto, foi Um Dia em Nova York/On the Town>1, uma farsa sobre marinheiros de licença, notável não somente por sua soberba trilha musical mas igualmente pelos diversos números de dança filmados em locações; poucas sequencias de dança no cinema são tão estimulantes, vivas e puramente criativos quanto a efetuada no topo do Empire State Building.

Após realizar, sem Kelly, Núpcias Reais/A Royal Wedding (no qual Fred Astaire dança nas paredes e teto de um quarto de hotel) Donen reuniu-se com ele em Cantando na Chuva/Singin' in the Rain>2, uma divertidamente engraçada e apaixonada sátira sobre os problemas vivenciados por Hollywood enquanto efetiva sua transição dos filmes silenciosos para os sonoros. Novamente o filme é contagiosamente vivaz e o cenário de seu epônimo um clássico; ainda mais impressionantemente, a câmera em movimento frequentemente se torna tanto um participante coreográfico do filme quanto um equivalente estilístico para os sentimentos à flor da pele e paixão fulminante do emocional de Kelly.

Ainda que Kelly tenha dirigido sozinho o experimental, porém pretensioso, tríptico completamente dançado Convite à Dança/Invitation to the Dance, Donen novamente demonstrou sua originalidade visual com Sete Noivas para Sete Irmãos/Seven Bride for Seven Brothers, um filme de dança incomumente muscular e acrobático ambientado em meio a uma imitação das montanhas e pradarias do Oregon. Dançando nas Nuvens/It's Always Fair Weather, seu último filme com Kelly, sobre a reunião de três desengonçados soldados que se mantinham afastados há uma década, desde a guerra, foi uma tentativa de repetir a fórmula de Um Dia em Nova York, enquanto Cinderela em Paris/Funny Face>3 - seu primeiro filme afastado da MGM - satirizava sutilmente a indústria da moda ao mesmo tempo que apresentava a relutante transformação de  uma livraria de um proprietário tímido e sério do Greenwich Village num estúdio chique de moda. Se os números de dança não possuíam a energia de seus filmes anteriores, não há como negar o sucesso da colaboração de Donen com o fotógrafo Richard Avedon em várias experimentações elegantes com cores arrebatadoras, notavelmente na sequencia da sutil intimidade do quarto escuro.

O auge do musical chegava ao seu fim, no entanto, e após duas deliciosas versões de sucessos de Broadway (Um Pijama para Dois/The Pajama Game, O Parceiro de Satanás/Damn Yankees), Donen voltou-se para a comédia. Indiscreta/Indiscreet e Do Outro Lado, o Pecado/The Grass is Greener foram trivialidades superficiais, animados apenas por suas boas atuações, mas Charada/Charade>4, uma leve mistura de comédia romântica e mistério com Cary Grant protegendo Audrey Hepburn dos assassinos de seu marido, ocasionalmente aproximou-se da complexidade de um Hitchcock. Arabesque foi uma aventura de espionagem menos bem sucedida de tendência próxima, e O Diabo é Meu Sócio/Bedazzled uma espasmodicamente divertida atualização da lenda de Fausto. Desde então, Donen se anulou em material crescentemente clichê: nostalgia cômica claudicante (Os Aventureiros do Lucky Lady/Lucky Lady), paródia inócua de gêneros dos anos 30 ( Movie Movie, a Dupla Emoção/Movie, Movie), uma insípida ficção-científica (Saturno 3/Saturn 3) e uma farsa com forte carga de insinuação erótica (Feitiço do Rio/Blame It on Rio).

Um dos melhores diretores de dança e musicais dos anos 50, talvez Donen necessitasse tanto do gênero como da imprescindível persona relaxadamente romântica de Kelly para inspirá-lo. Nessa década, sua habilidade para misturar comédia com romance, ações "reais" com canções e dança foi praticamente ímpar; a popularidade duradoura de seus filmes mais conhecidos atestam de sua engenhosidade, inteligência e invenção. 

Cronologia
Donen e Kelly trabalharam para a unidade de produção de Freed na MGM (sendo Arthur Freed o mais talentoso dos produtores musicais do estúdio) e, portanto, permite comparações com Vincente Minelli e o menos talentoso Charles Walters. Donen, que expressou sua admiração por Fellini e Antonioni pode, por sua vez, ter influenciado diretores de dança como Bob Fosse (coréografo de Um Pijama para Dois e O Parceiro de Satanás), Herbert Ross e o próprio Kelly.

Destaques
1. Um Dia em Nova York, EUA, 1949 c/Kelly, Sinatra, Vera-Ellen, Jules Munshin, Ann Miller

2. Cantando na Chuva, EUA, 1952 c/Kelly, Debbie Reynolds, Donald O'Connor, Jean Hagen

3. Cinderela em Paris, EUA, 1957 c/Audrey Hepburn, Fred Astaire, Kay Thompson

4. Charada, EUA, 1963 c/Cary Grant, Audrey Hepburn, Walter Matthau

Texto: Andrew, Geoff. The Film Handbook. Londres: Longman, 1989, pp. 84-6.


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