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segunda-feira, 17 de julho de 2017

Filme do Dia: Uivo (2010), Rob Epstein & Jeffrey Friedman

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Uivo (Howl, EUA, 2010). Direção e Rot. Original: Rob Epstein & Jeffrey Friedman. Fotografia: Edward Lachmann. Música: Carter Burwell. Montagem: Jake Pushinski. Dir. de arte: Thérèse De Prez & Russell Barnes. Cenografia: Robert Covelman. Figurinos: Kurt and Bart. Com: James Franco, Todd Rotondi, Jon Prescott, Aaron Tveit, David Strathairn, John Hamm, Andrew Rogers, Bob Balaban, Mary-Louise Parker, Treat Williams.

Epstein & Friedman, após toda uma trajetória dedicada ao documentário não conseguem se desvencilhar do mesmo quando partem para sua tentativa de ficção documental. Ou melhor, talvez desperdicem a chance de efetuar um documentário de melhor qualidade.  Ainda que se aposte que sua evasão do modelo biográfico convencional de retratar períodos bastante demarcados de uma personalidade (Capote, por exemplo), tenha se dado por motivos outros, como sua relativamente espartana produção, o que parece pouco provável dada a própria trajetória de seus realizadores, o resultado final demonstra ser bem menos interessante que a produção documentária dos realizadores (O Celulóide Secreto talvez o mais conhecido). Aqui observa-se o julgamento da obra Uivo, de um jovem Ginsberg (Franco), acusada de pornográfica por um promotor extremamente conservador (Straithairn), ao mesmo tempo em que paralelamente se escuta os depoimentos de  Ginsberg para uma entrevista gravada e muitas das passagens de seus poemas mais célebres, como o próprio Uivo e Moloch, a partir de animação. Quando se faz uso de uma pouco talentosa animação, que mais parece saída de qualquer programa rotineiro de televisão como opção para ilustrar a radicalidade de uma proposta poética, ainda que de meio século anterior ao lançamento do filme, pode-se ter uma idéia de que o calcanhar de aquiles dessa produção é menos a questão da opção pelo viés documentarizante ou tampouco os parcos recursos de sua produção, mas sim a ausência de uma dramaticidade que conseguisse emprestar a esse viés documentarizante ou a contundência da poesia-grito de Ginsberg algo mais que uma insipidez nem mesmo digna do momento no qual o filme foi produzido. Strathairn parece repetir o mesmo tipo que o celebrizou em Boa Noite, e Boa Sorte., apenas invertendo a sua coloração ideológica e Franco parece interpretar o seu Ginsberg com a convicção de espelhar, ou o que é pior, reproduzir involuntariamente a juventude de 2010. Destituído de erotismo, comedido em sua militância gay, tendo em vista talvez o que o próprio Ginsberg afirmara de sua obra não ser uma apologia da homossexualidade, assim como ineficiente em sua evocação da poética de seu autor, resta ao filme somente a triste sina de se transformar em armadilha para eventuais incautos atraídos pelo empréstimo do título da obra de Ginsberg. Ao final, não sobram as legendas afirmando resumidamente sobre o destino dos principais envolvidos – ou referidos – no episódio em questão. Werc Werk Works/RabbitBandini Prod/Telling Pictures/Radiant Cool para Oscilloscope Pictures. 84 minutos.

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