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sábado, 8 de julho de 2017

Filme do Dia: Código Desconhecido (2000), Michael Haneke


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Código Desconhecido (Code inconnu: Récit incomplet de divers voyages, França/Alemanha/Romênia, 2000). Direção e Rot. Original: Michael Haneke. Fotografia: Jurgen Jürges. Música: Giba Gonçalves. Montagem: Karin Martusch, Nadine Muse & Andreas Prochaska. Dir. de arte: Emmanuel de Chauvigny. Cenografia: Laurence Vendroux. Figurinos: Françoise Clavel. Com: Juliette Binoche, Thierry Neuvic, Josef Bierbchler, Alexandre Hamidi, Maimouna Hélène Diarra, Ona Lu Yenke, Djibril Kouyaté, Luminita Gheorghiu.

Uma atriz (Binoche), seu namorado fotógrafo de guerra, o irmão e  o pai do namorado, uma mendiga de rua, um monitor negro de crianças surdas mudas e sua família são alguns dos personagens que compõem essa crônica do cotidiano francês contemporâneo, que possui paralelos com experiências recentes que buscam descrever aspectos da sociedade americana (Magnólia, 1999) e brasileira (Cronicamente Inviável, 2000). Porém, ao contrário do primeiro, consegue descrever de modo mais equilibrado e menos caricatural seus personagens e não possui a pretensão – pelo menos, explícita – de retratar uma nação como o último. Ganha dos dois em termos de ritmo, compassado e marcado por uma característica básica das narrativas de Haneke, a elipse. Aqui, o cineasta radicaliza e acaba cortando literalmente as sequências antes que elas estejam “resolvidas”. O constante rodízio de situações e locais diferenciados (em um preciso e virtuoso trabalho de montagem) exige uma atenção constante, ainda que o que menos pareça importar seja o senso de continuidade dos segmentos isolados. Em uma sequência que bem poderia sugerir semelhanças com a ironia da produção brasileira, um jovem negro que pretende vingar a dignidade da pedinte de rua que fora humilhada por um jovem europeu, torna-se o pivô de sua extradição. Se o distanciamento do que é narrado sugere uma influência de Godard, as constantes tomadas realizadas da perspectiva de um carro evocam os filmes de Kiarostami. Incensado pela crítica nos últimos anos, Haneke também dirigiu o bem menos interessante Violência Gratuita. Uma curiosidade: o filme é falado em seis línguas além da linguagem dos signos. Bavaria Film/Filmex/FR 2/Canal +/MK2/Ministério da Cultura Romeno/ZDF/arte France Cinéma. 118 minutos.

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