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sexta-feira, 28 de outubro de 2016

The Film Handbook #99: Grigori Kozintsev

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Grigori Kozintsev
Nascimeto: 22/03/1905, Kiev, Rússia
Morte: 11/05/1973, Leningrado, URSS
Carreira (como diretor): 1924-1971

Juntamente com o colaborador regular Leonid Trauberg, Grigori Kozintsev foi um dos mais criativamente versáteis dos realizadores revolucionários soviéticos. Some-se a isso a sua obra posterior, sem Trauberg, revelou-o como um mestre inigualável das adaptações da literatura.

Arrastado pela energia da Revolução de 1917, o jovem Kozintsev se envolveu com o teatro experimental, fundando com Trauberg a Fábrica do Ator Excêntrico. A dupla realizaria sua estreia no cinema em 1924 com The Advemtures of Oktyabrina/Pokhozhdeniya Oktyabrini (hoje perdido), no qual slogans propagandísticos e uma montagem elíptica supostamente narrava uma história dinâmica e fragmentada da luta determinada e triunfante de uma garota contra o capitalismo. Indicativo de seus métodos é o sobrevivente The Devil's Wheel/Chyortovo Koleso>1, que elabora sua mensagem moral - um chamado para a remoção de uma área de cortiços em Leningrado - dentro do andamento das aventuras de um marinheiro que, perdendo seu barco após se apaixonar por uma garota em uma feira, encontra-se imerso em um submundo sombrio de tipos criminosos grotescos. As caracterizações ágeis e vibrantes do filme e seu deleite em virtuosos efeitos especiais retornam em The Cloak/Shinel (baseado em dois contos de Gogol) e The New Babylon/Novvy Vavilon>2, uma narrativa da queda da Comuna de Paris em 1870, observada pelos olhos militantes de uma vendedora em uma loja de departamentos. O último, claramente inspirado pela revolução de 1905, mescla engenhosidade sardônica com drama heróico, e observa a dupla no auge de suas forças, trabalhando com uma equipe grandemente simpática: o câmera Andrei Moskvin, o cenógrafo Yevgeni Yenei e o brilhante compositor jovem Dimitri Shostakovich, que continuaria a trabalhar com Kozintsev até o final de sua carreira.

Em 1931 Kozintsev e Trauberg realizaram seu primeiro filme sonoro, Alone/Odna, sobre uma professora aprendendo a admirar uma nova vida em uma província enevoada. Seus melhores filmes sonoros, no entanto, foram os que compõem a Trilogia de Maximo>3 (The Youth of Maxim/Yuonost Maksima, The Return of Maxim/Vozvrashchenie Maksima e The Vyborg Side/Vyborgskaya Storona), que delinearam, em detalhes humorísticos pouco comuns, a gradual gênese do herói revolucionário de 1910 a 1918. Apesar de sua dimensão épica, o que mais impressiona é sua concepção pouco romântica de um decididamente comum Maximo (tornado político por acaso), uma refrescante alternativa não didática às ideologias  manipulativas e ortodoxas do realismo socialista.

Após um último filme juntos, Plain People/Prostye Lyudi uma história da fuga da guerra dos trabalhadores de uma fábrica, banido até 1956, quando foi remontado em uma versão que Kozintsev renegou, Trauberg e Kozintsev seguiram trajetórias distintas, no caso do último para uma bem sucedida carreira individual. Após duas biografias de Stálin tidas como sóbrias, ele embarcou rumo a três adaptações literárias, exemplares por sua reinterpretação sutil e sensível de textos conhecidamente difíceis. Dom Quixote/Don Kikhot é uma maravilhosa façanha de condensação, um tocante retrato da ingenuidade e idealismo do cavaleiro de Cervantes trazido à vida pela interpretação respeitável de Nikolai Cherkassov e o magistral trabalho de câmera em tela larga; Hamlet/Gamlet teve como sua fonte de inspiração a noção da Dinamarca enquanto prisão e, através da tradução poética de Pasternak, oferece um hipnótico retrato de um inconformista destruído por um mundo rígido e hostil; enquanto King Lear/Karol Lir.4, torna-se uma tragédia universal mais que pessoal, assim como uma narrativa de redenção: em sua loucura, o uma vez arrogante monarca finalmente assume sua posição certeira dentre as vítimas mutiladas e imperfeitas de uma sociedade feudal cruel. Lear é uma leitura marxista e profundamente humana da obra-prima de Shakespeare. Num estilo visual criativo e poderoso do texto poético, sua atmosfera meditativa é facilmente transposta por seu trabalho de câmera acinzentado que captura as sombrias charnecas varridas pelo vento e inóspitas planícies rochosas.

Até o final, Kozintsev permaneceu um artista de rara energia e invenção, raramente permitindo que propósitos ideológicos ditassem a forma ou o conteúdo de suas obras. Se muitos de seus filmes abordam temas políticos, isso não o faz negar seu fascínio por personagens vibrantes e críveis, nem seu senso de humor ou desejo de fazer uso das qualidades visuais do meio escolhido em sua completude.

Cronologia
Influenciado por Maiakovski, Meyerhold e Eisenstein, Kozintsev e Trauberg podem ser vistos como parte de um movimento excêntrico russo que incluía Lev Kulechov e Boris Barnet. Entre os colegas dos primeiros anos também se encontravam Sergei Yutkevich e Sergei Gerasimov.

Leituras Futuras
Kino (Londres, 1960), de Jay Leyda.

Destaques
1. The Devil's Wheel, URSS, 1926 c/Pyotr Sobolevsky, Lyudmila Semyenova, Gerasimov

2. The New Babylon, URSS, 1929 c/Yelena Kuzmina, Pyotr Sobolenski, Gerasimov

3. A Trilogia de Maximo, URSS, 1935/37/39 c/Boris Chirkov, Valentina Kibardina

4. King Lear, URSS, 1971 c/Yuri Yarvet, Oleg Dal, Elsa Radzinya

Texto. Andrew, Geoff. The Film Handbook. Londres: Longman, 1989, pp. 151-2

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