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domingo, 9 de outubro de 2016

Filme do Dia: Domésticas, O Filme (2001), Fernando Meirelles & Nando Olival




Domésticas, O Filme (Brasil, 2001). Direção: Fernando Meirelles & Nando Olival. Rot. Adaptado: Cecília Homem de Mello, Fernando Meirelles, Renata Melo e Nando Olival, a partir da peça de Renata Melo. Fotografia: Lauro Escorel. Música: André Abujamra. Montagem: Déo Teixeira. dir. de arte: Tulé Peak & Frederico Pinto. cenografia: Cláudio Amorim. Com: Cláudia Missura, Graziella Moretto, Renata Melo, Lena Roque, Cybele Jácome, Cecília Homem de Mello, Thiago Moraes, Robson Cunha, Olívia Araújo, Roberta Garcia.
                    O cotidiano de empregadas domésticas em São Paulo: Quitéria (Araújo),  nunca fica muito tempo nas casas que trabalha;  outra sonha em encontrar um príncipe encantado; Creo (Roque) religiosa e avessa aos costumes permissivos, vive a procura de Kelly (Garcia), a  filha adolescente foragida;  uma delas, Roxane  (Moretto) sonha ser modelo e trabalhar na televisão e, por enquanto, se contenta em posar para fotos eróticas; outra (Melo, também autora da peça em se baseia o filme), não suportando a indiferença e a mesmice do marido, passa  a viver um relacionamento com um motorista, descobrindo após alguns dias que o marido se encontrava morto diante da televisão; Raimunda (Missura), por sua vez, torna-se namorada de um dos rapazes que realizara uma tentativa patética de assaltar um ônibus, Gilvan (Moraes); Quitéria, ingenuamente, abre as portas da casa de sua patroa para que assaltantes levem tudo que existe na casa.

Com sua visão descritiva e superficial dos “tipos” (longe de serem personagens com um mínimo de profundidade psicológica que vá além dos clichês habituais) que explora, o filme se sustenta, sobretudo, graças a afinação do elenco feminino. Já a partir dos créditos, lidos por uma personagem que demonstra pouca familiaridade com as letras, percebe-se que o elemento cômico sustentar-se-á a partir do diferencial de classe que separa a cultura das retratadas e os pretensos espectadores que assistirão ao filme. O fato de lidar  com tipos é ainda mais acentuado pelas letras de música, que geralmente fazem comentários sobre as situações vivenciadas pelas domésticas. O único momento, breve, que o filme consegue ir além da banal estereotipia ou ainda desvencilhar-se de ser um verdadeiro estudo entomológico, provocador de um riso de “superioridade” ou condescendência de quem assiste, é na bela e contida seqüência em que mãe e filha encontram-se casualmente no Viaduto do Chá, conseguindo demonstrar um caráter humano universal que transcende preconceitos de classe, semelhante a abordagem efetivada, via Clarice Lispector, em A Hora da Estrela. O tom semi-documental buscado é enfatizado nos momentos (geralmente filmados em p&b) que os personagens dirigem-se diretamente para a câmera. Outros recurso também utilizado é o da filmagem em movimento acelerado.  O2. 90 minutos.

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