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quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Filme do Dia: Um Caminho para Dois (1967), Stanley Donen


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Um Caminho para Dois (Two for the Road, Reino Unido, 1967). Direção: Stanley Donen. Rot. Original: Frederic Raphael. Fotografia: Christopher Challis. Música: Henry Mancini. Montagem: Madeleine Gug & Richard Marden. Dir. de arte: Marc Frederic & Willy Holt. Cenografia: Roger Volper. Figurinos: Hardy Amies, Marian Foale, Michele Posier, Mary Quant, Paco Rabanne, Clare Rendlesham, Ken Scott & Sally Tuffin. Com: Audrey Hepburn, Albert Finney, Eleanor Bron, William Daniels, Gabrielle Middleton, Claudie Dauphin, Nadia Gray, George Descriéres, Jacqueline Bisset.
                       As aventuras e desventuras do casal Joanna (Hepburn) e George Wallace (Finney) em suas viagens pelo continente europeu que abrangem desde antes do casamento, as primeiras viagens improvisadas junto a insuportável família Manchester, o tédio e a monotonia do casal quando se encontra em uma situação economicamente estável, o nascimento da própria filha e a proposta de divórcio. Nesse momento, o casal se vê diante um do outro sem ter nada o que dizer, tal e qual os casais maduros que observavam em suas viagens de juventude e Joanna mantém uma relação com David (Descriéres), após ter sido igualmente traída pelo marido. Porém, decidem seguir juntos.
                    Donen, mais conhecido pelos musicais que realizou na década anterior, procura operar uma reatualização do gênero romântico tanto em termos estilísticos quanto de conteúdo. Para tanto, faz uso de muito do que o cinema moderno europeu, sobretudo a Nouvelle Vague, legou (desde a acentuação de recursos da linguagem como os cortes abruptos e as sequências em câmara acelerada até uma certa propensão a metalinguagem, como quando George afirma “finalmente uma cena de amor”, tendo como pano de fundo um romântico pôr-do-sol no melhor estilo dos filmes contemporâneos de Claude Lelouch ou quando Joanna faz menção ao final feliz). Aliás, sua mescla entre elementos clássicos e modernos está presente até na escolha de um elenco que une Hepburn (mito do cinema clássico americano associado sobretudo aos anos 50 e início de 60, algumas vezes dirigida pelo próprio Donen) e Finney (proveniente do moderno Free Cinema britânico). Na sua atualização também incorpora algumas mudanças nas convenções sociais que permitem aqui que a heroína possua uma relação extra-conjugal. Porém, não resta dúvida que o convencional acaba se sobrepondo ao verniz moderno, seja através de certos momentos de espirituosidade e irreverência do casal que hoje soam datados (tanto quanto os de seu modelo, o Truffaut de Jules e Jim) quanto pelo tom sentimental alimentado pela insistente trilha sonora de Mancini.Nem por isso o filme deixa de ter seu encanto. Sua montagem, que mescla vários momentos da vida do casal, tanto serve para diferenciar a situação econômica, emocional e geracional  – nesse sentido, caso construísse uma dramaturgia mais elaborada e menos cínica bem poderia conseguir a força de um Jacques Demy – quanto para reforçar os variados figurinos vestidos por Hepburn, assinados por diversos estilistas, que incluem, entre muitos outros,  Mary Quant, criadora da mini-saia. 20th Century-Fox/Stanley Donen Films. 117 minutos.

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