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domingo, 16 de outubro de 2016

Filme do Dia: O Medo (1954), Roberto Rossellini


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O Medo (La Paura, Al.Ocidental/ Itália, 1954). Direção: Roberto Rossellini. Rot. Adaptado: Sergio Amidei, Roberto Rossellini & Franz Von Treuberg, baseado no romance Angst, de Stefan Zweig. Fotografia: Carlo Carllini & Heinz Schnackertz. Música: Renzo Rossellini. Montagem: Jolanda Benvenuti & Walter Boos. Com: Ingrid Bergman, Mathias Wieman, Renate Mannhardt, Kurt Kreuger, Elise Aulinger, Steffie Struck, Elise Aulinger, Annelore Wied.
Irene (Bergman), mulher do bem sucedido cientista Albert (Wieman) vive uma culpada relação amorosa extra-conjugal com Erich (Kreuger). A situação se complica quando ela, disposta a abandonar a relação, é chantageada por uma mulher que diz ter sido abandonada por Erich, Schultze (Mannhardt). Irene passa a viver em constante tensão e desconfia da integridade de seu amante, pois a mulher sempre sabe onde ela se encontra. Sua crescente dispersão suscita indagações de Albert, negadas terminantemente por Irene. Schultze revela, no entanto, que fora orientada pelo próprio Albert para chantageá-la. Confusa, Irene pensa em suicídio, mas muda de decisão e vai de encontro aos filhos.
Constrangedor testemunho do quanto Rossellini não conseguia se adequar a modelos dramáticos mais convencionais. Praticamente nada aqui funciona. Das interpretações maneiristas, em que o patético se sobrepõe a qualquer pretensão trágica na figura pretensamente dividida de sua protagonista aos momentos de mais pura obviedade, quando Irene reflete no castigo imposto por Albert à filha, a sua própria culpa. À figura feminina, aliás, cabe ao final não mais que o redirecionamento de seu “amor perverso” para a sacralidade da família, ou seja, para a própria negação do desejo e purgação de sua culpa. Certamente extraindo material da própria relação que vivenciava então com Bergman, seja em termos de tema mais amplo, que parece quase reproduzir o escândalo vivenciado por Bergman ao se unir ao cineasta, abandonando o seu marido ou mesmo de frases isoladas, como quando a atriz relembra dos banhos de sua Suécia natal, técnica comumente utilizada por Rossellini. O filme patina em soluções desconcertantemente canhestras desde a voz over com o qual inicia e a abordagem de Irene pela chantageadora logo ao início. Destaque para os longos planos de diálogos vivenciados no interior de veículos – com evidendentes matte shots ao fundo simulando movimento como era de costume nos filmes hollywoodianos, mas algo incomum na cinematografia do realizador. Klaus Kinski surge numa ponta, apresentando-se em um cabaré. Aniene Film/Ariston Film GmbH para Minerva Film. 75 minutos.


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