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sexta-feira, 21 de outubro de 2016

The Film Handbook#98: Richard Attenborough

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Richard Attenborough
Nascimento: 29/08/1923, Cambridge, Inglaterra
Carreira (como diretor): 1969-

Existe um ar hipócrita para os filmes de Sir Richard Samuel Attenborough: o desejo mais honesto é que sejam vistos por terem sido feitos. A despeito da publicidade dada aos vinte anos que levou para realizar Gandhi, obra pela qual foi sagrado cavaleiro em 1976 pode, como um todo, ser observada como inexistindo um genuíno compromisso.

Como foi que, aos quarenta anos, o ator treinado na Academia Real de Arte Dramática (ARAD), cuja carreira prévia destacava tantos soldados corajosos realizaria sua estreia na direção com Oh! Que Bela Guerra>1? Sua adaptação da peça musical de Joan Littlewood foi incoerente e repleta de pontas de atores teatrais britânicos. De fato, é tentador observar Attenborough como algo de oportunista; como poderia ter seguido o pretenso filme radical com o patriotismo de As Garras do Leão/Young Winston - uma pesada fotografia em sépia repleto de psicologia folhetinesca, localizando a grandeza de Churchill numa infância infeliz - e os heróis rotineiros de Uma Ponte Longe Demais/A Bridge Too Far?

Um thriller maçante e nada original sobre o poder mortal de jogos entre um ventríloquo e seu boneco, Um Passe de Mágica/Magic  foi menos auto-conscientemente épico que seus filmes anteriores, mas Gandhi>2 foi qualificado como um tour de force. Embora as montanhas intermináveis de extras comprovem a sua habilidade em dirigir multidões, o filme foi estranhamente raso, uma mentirosa e reverente hagiografia com pouca visão tanto da sublime mente serena do herói quanto da complexa realidade da história e política indianas. Então, após o lastimável e digno de esquecimento Chorus Line - Em Busca da Fama/A Chorus Line, ele realizaria uma futura tentativa mal sucedida de realização política com Um Grito de Liberdade/Cry Freedon>3. Perversamente focando menos no ativista negro sul-africano Steve Biko que na perseguição do jornalista branco Donald Woods (o próprio porta-voz substituto do realizador para a causa anti-apartheid), ele mais uma vez volta às costa à análise ideológica por sermões respeitáveis e cenários visualmente espetaculares tais como o do Massacre de Soweto.

Como diretor, Attenborough, parece excessivamente ambicioso; seus planos de realizar um filme sobre Chaplin parecem peculiarmente apropriados. Ele parece inclinado a ressaltar sua sinceridade se dirigindo a Grandes Temas, mas parece igualmente não possuir o rigor intelectual e seriedade artística para produzir nada mais que painéis simplórios de exaltação de heróis. De fato, suas melhores criações não são seus épicos indiano e sul-africano, mas dois admiravelmente plausíveis retratos da maldade; suas performances como o chefe da gangue Pinkie de  Graham Greene em O Pior dos Pecados/Brighton Rock de John Boulting, assim como o assassino serial-sexual Reginald John Christie em O Estrangulador de Rillington Place/10 Rillington Place de Richard Fleischer.

Cronologia
Attenborough é produto de uma corrente de realismo social britânico que se leva demasiado a sério. Tanto David Lean quanto Byron Forbes (frequente colaborador de Attenborough) podem tê-lo influenciado.

Leituras Futuras
Richard Attenborouogh (Londres, 1984), de David Castle

Destaques
1. Oh! Que Bela Guerra, Reino Unido, 1969 c/Laurence Olivier, John Mills, John Guielgud

2. Gandhi, Reino Unido, 1982 c/Ben Kingsley, Martin Sheen, Candice Bergen

3. Um Grito de Liberdade, Reino Unido, 1987 c/Kevin Kline, Denzel Washington, Penelope Wilton

Fonte: Andrew, Geoff. The Film Handbook. Londres: Longman, 1989, pp. 19.

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