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domingo, 2 de outubro de 2016

Filme do Dia: São Bernardo (1971), Leon Hirszman


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São Bernardo (Brasil, 1971). Direção: Leon Hirszman. Rot. Adaptado: Leon Hirzsman, baseado no romance de Graciliano Ramos. Fotografia: Lauro Escorel. Música: Caetano Veloso. Montagem: Eduardo Escorel. Dir. de arte: Luiz Carlos Ripper. Cenografia: Túlio Costa. Figurinos: Luiz Carlos Ripper. Com: Othon Bastos, Isabel Ribeiro, Nildo Parente, Joseph Guerreiro, Vanda Lacerda, Mário Lago, Jofre Soares, Rodolfo Arena.
Após conquistar a fazenda de São Bernardo as custas da pressão sobre o endividado e fraco Padilha (Parente), que passa a se tornar seu empregado, e do assassinato do fazendeiro rival vizinho, Paulo Honório (Bastos) passa a ter como objetivo o casamento, para possuir um herdeiro para suas terras. O casamento ocorre com a sensível e culta professora local, Madalena (Ribeiro). Devotada ao marido e aos empregados, logo a mulher se transforma em vítima dos achaques constantes do marido que desconfia progressivamente de que ela é comunista e o trai com vários homens. Inconformada com a vida opressora que leva nos três anos que vive com Honório, Madalena suicida-se. Só então, já tardiamente, Paulo Honório fará uma mea culpa para si próprio, consciente de que o pior de tudo é que jamais conseguiria mudar o seu jeito de ser.
Talvez a melhor adaptação sobre fonte literária de todo o cinema brasileiro e certamente a obra-prima de Hirszman, o filme é uma sofisticada operação narrativa no qual as vozes do passado e do presente do protagonista se mesclam numa teia sólida e destituída de sentimentalismo ou qualquer firula ornamental desnecessária, na qual a obsessão pela posse material rege todas as relações de Honório com o mundo. Nesse sentido se acompanha desde os atos ilícitos cometidos no início de sua carreira até sua inserção na sociedade local, sua relação com a religião, os trabalhadores e a própria mulher. Em termos estéticos, o filme é marcado pela poesia de seus longos planos estáticos ou com elegantes movimentos de câmera, a cuidadosa iluminação e o uso soberbo da profundidade de campo– com destaque para a despedida de Madalena, na qual sua figura desaparece ao fundo tal qual um fantasma. Recusando não só o viés oficial com que muitas adaptações literárias foram produzidas à sua época, como realçando a própria identidade da exploração no campo do período descrito no romance com o vivido pela época do filme na seqüência de escopo documental ao final, o que acabaria levando a sua temporária censura. Na trilha sonora, igualmente austera, destaque para o canto de tons carpideiros que acompanha a referida seqüência. Não menos brilhante é a direção de atores, com destaque para Isabel Ribeiro, numa das maiores interpretações femininas do cinema brasileiro em todos os tempos.Embrafilme/Mapa Filmes/Saga Filmes. 113 minutos.


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