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segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Filme do Dia: Quando o Coração Floresce (1955), David Lean


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Quando o Coração Floresce (Summertime, EUA, 1955). Direção: David Lean. Rot.Adaptado: H.E.Bates, David Lean & Donald Ogden Stewart baseado na peça de Arthur Laurents The Time of the Cuckoo. Fotografia: Jack Hildyard. Música: Alessandro Cicognini. Montagem: Peter Taylor. Com: Katharine Hepburn, Rossano Brazzi, Isa Miranda, Darren McGavin,  Jane Rose,   MacDonald Parke,  Jeremy Spenser, Gaitano Andiero.
               Jane Hudson (Hepburn), solteirona de meia-idade viaja à Veneza com economias guardadas de longo tempo, com o intuito subliminar de viver seu primeiro amor. Logo faz amizade com um casal de turistas tipicamente americano, os McIlhenny (Parke/Rose), que também se encontram na pousada Fiorina, comandada pela senhora de mesmo nome (Miranda). Um casal já se encontra hospedado por lá, o artista Eddie (McGavin) e sua namorada. Embora procure forjar laços de amizade, Hudson fica sozinha após a saída da dona da pensão e sua recusa para um passeio com Eddie, que disse que iria sair com um outro casal de amigos. Hudson vai à Praça de São Marcos, após ser importunada pelo garoto Mauro (Andiero), por quem acabará se afeiçoando. Na Praça é admirada longamente por Renato di Rossi (Brazzi), retirando-se incomodada e posteriormente reencontrando-o na loja de antiguidades, que pertence a Renato,  em que compra uma taça. Sentindo-se apaixonada, não resiste e volta no dia seguinte a Praça de São Marcos, onde Renato se aproxima mais e afasta-se pensando que ela se encontra acompanhada, ou pelo menos dando a entender que assim pensara. Angustiada, Hudson pede o auxílio de Mauro para retornar à loja de Renato, porém ele não se encontra. Ela cai no canal. Abatida na pensão, recebe a visita de Renato, que procura explicitar seus sentimentos para uma confusa Hudson, embora sejam interrompidos  pelo casal McIlhenny, em que a mulher mostra umas taças idênticas a que Hudson comprara na loja de Renato. Indignada, ela no entanto, finda por acreditar em Renato, que confirmara a sua peça como sendo do século XVIII. Ambos vão assistir uma apresentação de peças de Rossini. Porém o clima de idílio romântico termina na noite seguinte, quando descobre que o garoto que trabalha na loja de Renato, Vito (Spenser), é na verdade seu filho. Ela presencia aterrorizada a partida da mulher de Renato com um homem em uma gôndola. Renato a encontra e, enquanto ela lhe critica suas mentiras, ele desaprova seu comportamento imaturo, afirmando que seu casamento não mais existe, e que sua esposa leva a vida que ela quer. Enfim, quando percebe que a resistência a Renato parte mais de sua insegurança pessoal que pelo fato de ser casado, Jane cede. No dia seguinte parte de Veneza de trem. Renato aparece no último momento na estação.

              Provavelmente poucas vezes Veneza recebeu um tratamento visual tão elegante quanto nessa obra de Lean. Porém todo o virtuosismo acadêmico de seu elaborado trabalho de câmera e esmerada fotografia e direção de arte vão de encontro a uma intriga extremamente estéril, por vezes beirando o ridículo involuntário. Ainda assim, no meio da pasmaceira dos conflitos sentimentais da senhora Hudson, podem se encontrar alguns traços sutis de modernidade, seja em alusões veladas de Renato ao sexo no escurinho dos canais, seja pela alusão mais explícita da fobia dos americanos por sexo, quanto - e principalmente - pelo desenlace descomprometido do final, assim como a recusa em buscar investigar os motivos que levam Renato e sua esposa a viverem um casamento de aparências. Os personagens secundários, no entanto, possuem uma definição confusa, que os qualifica como não mais que óbvios instrumentos para o desenvolvimento da intriga principal (como no momento em que o casal americano reaparece apenas para criar o conflito com relação às taças), sendo a apresentação do casal de turistas americanos representando todos os clichês possíveis da situação particularmente não interessante. Alguns momentos desse auto-centramento tanto da personagem de Hudson quanto da própria intriga principal com relação aos personagens secundários chega a ser involuntariamente cômica:  a senhora Hudson, a todo custo, procura afastar o garoto Mauro de suas lentes, para que possa fotografar a loja de Renato. Por outro lado, o próprio interesse súbito de Renato por Jane soa grandemente inverossímil. London Film/Lopert Productions/United Artists. 100 minutos.           

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