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sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Filme do Dia: Guerra de Canudos (1997), Sérgio Rezende


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Guerra de Canudos (Brasil, 1997). Direção: Sérgio Rezende. Rot.Original: Paulo Halm&Sérgio Rezende. Fotografia: Antônio Luiz Mendes. Música: Edu Lobo. Montagem: Isabelle Rathery. Com: Cláudia Abreu, Selton Mello, Paulo Betti, Marieta Severo, José de Abreu, José Wilker, Tonico Pereira, Dandara Ohana Guerra.
             A Jovem Luíza (Abreu) abandona sua família quando esta decide seguir o grupo de Antônio Conselheiro (Wilker), que vai fundar uma comunidade regida por seu domínio carismático. Vai parar em uma cidade, onde torna-se prostituta e desperta a paixão de um militar da primeira das expedições fracassadas a Canudos e que vai viver próximo a região. Refugiando-se da humilhante segunda batalha, um grupo de soldados quase chega a assassinar o casal, sendo impedidos por um tenente idealista (Mello), que o recruta para a terceira expedição, que será liderada por um famoso militar, General Arthur Oscar (Abreu), que tem fama de sanguinário e cortador de cabeças. Incorpora-se a expedição um jornalista de guerra, que nos momentos de paz faz às vezes de fotógrafo. O marido de Luiza morrerá em ato de bravura, enquanto a jovem volta às práticas da prostituição, ainda que o tenente tenha procurado dissimulá-la com sua paixão. Entre a cruz e a espada, a jovem retorna a Canudos e encontra sua família em situação de penúria extrema e sabe da morte do irmão em combate. Revolta-se contra seu pai (Betti) por não querer abandonar a cidade. Após muitas batalhas, e a morte de Conselheiro, os oficiais destroem a comunidade e assassinam sua mãe à sangue-frio, matando seu pai no último conflito. Resta a Luiza refazer a vida com a irmã Teresa (Guerra), a quem prometera não abandonar.
Superprodução que tem como pontos positivos um contato saudável com o grande público e um bem cuidado trabalho de cenografia e fotografia, e alguns belos close-ups, além de momentos isolados em que consegue desenvolver os conflitos dramáticos e de outros em que surge uma inesperada veia cômica, como quando o tenente descobre da pior forma possível que o coronel (Pereira) que lidera a primeira invasão, sofre de epilepsia. Como pontos negativos uma mal acabada trilha sonora, fraca e desigual direção de atores e, pior, desestimulante e esquemático roteiro, que muitas vezes se concede um maniqueísmo fácil através de personagens “historicamente corretas” como a do jornalista ou ainda quando tenta se libertar dos clichês sobre Canudos, como dos monarquistas contra a República - como no momento de dúvida do mesmo jornalista que já se encontra há três anos na região -e apenas os reafirma como uma exceção. Entre as interpretações sofríveis e não menos esquemáticas se encontram a do líder do exército da última expedição vivido por Abreu e a do próprio Conselheiro. Buscando o meio termo entre o mero entretenimento e a preocupação em apresentar fatos históricos, o filme não atinge o que seus congêneres apresentam, seja a coreografia da violência mais bem acabada dos filmes americanos ou a presença de espírito e o sofisticado trabalho de direção de atores dos filmes europeus que também mesclam temática histórica à entretenimento como Caindo no Rídiculo e Rainha Margot. Sua maior fraqueza: a falta de autenticidade e de aprofundamento nos conflitos, como a que se consegue captar em certos momentos de filmes como  Sertão das Memórias, que é tomada aqui como mera busca da verossimilhança e do realismo no seu sentido mais chão, já que a própria esquematicidade do roteiro - como no exemplo-mor da garota que abandona à família e no seu primeiro contato na cidade já dá de cara com a dona de um bordel - compromete até mesmo esta. De qualquer forma, uma tentativa que não deve ser desprezada de todo. Morena Filmes/Sony Corporation of América/Columbia Pictures Television Trading/Riofilme/Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro/Secretaria Municipal da Cultura. 170 minutos.


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