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sábado, 8 de outubro de 2016

Filme do Dia: O Baile dos Bombeiros (1967), Milos Forman


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O Baile dos Bombeiros (Horí, má Panenko, Tchecoslováquia/Itália, 1967). Direção: Milos Forman. Rot. Original: Milos Forman, Jaroslav Papousek & Ivan Passer sob argumento de Vaclav Sasek. Fotografia: Miroslav Ondricek. Música: Karel Mares. Montagem: Miroslav Hajek. Dir. de arte: Karel Cerný. Cenografia: Vladimir Macha. Figurinos: Zdena Snajdarova. Com: Jan Vostrcil, Josef Sebánek, Josef Valnoha, Frantisek Debalka, Josef Kolb, Jan Stockl, Vratislav Cermák, Josef Rehorek.
Em uma pequena cidade da Tchecoslováquia a guarnição dos bombeiros organiza uma festa para toda a comunidade local. Durante o baile ocorre um pouco de tudo, como um frustrado concurso de misses para um grupo de velhos militares oportunistas ou um incêndio na casa de um velho senhor ao lado. Organiza-se uma rifa solidária para beneficiar o velho senhor, mas todos os artigos que seriam rifados acabam sendo surrupiados.
Esse, que é o primeiro filme colorido de Forman e que o projetou internacionalmente, certamente possui uma estrutura de identificação bem menos fácil que seus dois filmes anteriores para o cinema (Os Amores de uma Loira, Pedro, O Negro). Aqui toda a narrativa se condensa  sobretudo nas poucas horas em que ocorre o baile que dá nome ao filme, não existe personagens principais ou secundários e tampouco uma linha narrativa mais fechada. Seu aspecto alegórico, bem mais enfático que o das produções anteriores, lhe rendeu a censura no seu próprio país. O desarticulado e patético grupo de bombeiros é uma mais que explícita representação da enferrujada máquina administrativa eslovaca, incapaz seja de organizar um concurso de misses ou de salvar uma casa de um incêndio ao lado do baile da corporação.  Em um estado tão corporativo quanto a milícia descrita no filme, restam aos seus cidadãos as pequenas trapaças às escondidas. Dito isso, trata-se de um filme menos interessante que os seus anteriores. Os toques de poesia sob uma chave realista mais convencional aqui se transformaram em uma sucessão de situações satíricas que soam por demais mecânicas e – pior – pouco engraçadas, ao menos até um momento bem avançado do filme. Algumas poucas exceções verdadeiramente cômicas são a da senhora que assume a coroa de miss, após todas as garotas terem literalmente fugido. Talvez um dos momentos mais interessantes  seja o que todos param  em sinal de alerta da sirene, situação que brevemente provoca uma suspensão na festa e, portanto, na próprio ritmo que a narrativa ia se desenrolando. Segue-se então talvez a seqüência mais interessante de todo o filme, quando o incêndio é observado por toda a fauna de tipos ali presentes. Vostrcil, presença obrigatória em todos os filmes de Forman realizados em seu país natal, por sua própria cara, adéqua-se perfeitamente ao estilo de humor satírico pretendido pelo realizador nesse que é o momento mais interessante de sua carreira. Teve uma indigna versão americana em 1999. Carlo Ponti Cinematografica/Filmové Studio Barrandov. 71 minutos.

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