CONTRA O GOLPE CIVIL EM CURSO E A FAVOR DA DEMOCRACIA

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Filme do Dia: Jango (1984), Sílvio Tendler




Jango (Brasil, 1984). Direção: Sílvio Tendler. Rot. Original: Maurício Dias & Sílivo Tendler. Fotografia: Lúcio Kodato. Música: Wagner Tiso & Milton Nascimento. Montagem: Francisco Sérgio Moreira.

Documentário que segue a trajetória de João Goulart desde o período em que foi Ministro do Trabalho na gestão de Vargas (1954) até sua morte por problemas cardíacos, exilado no Uruguai (1976). Evidentemente, detém-se sobretudo sobre o intenso momento político suscitado pela renúncia de Jânio Quadros, a tensa posse do então vice Goulart, em 1961, o acirramento ideológico crescente entre esquerdas e direita, Francisco Julião, o então presidente da União Nacional dos Estudantes, o jornalista Marcos Sá Correia e outros militares e civis envolvidos na trama política do período. Há uma evidente opção por efetivar um filme de pretensões quase didáticas no modo com que expõe os eventos, e o que filme consegue efetivar com bastante força, assim como o de traçar um retrato bastante simpático, quase mártir, da figura de Jango no momento de redemocratização contemporâneo à produção e lançamento do filme. Mesmo com algumas inserções de viés abertamente irônico e mesmo hilário, como as marchinhas políticas de alguns candidatos e flagrantes da indecisão de parlamentares quanto a votação que selaria o destino da própria Câmera, assim como os ovos que estouram contra os militantes comunistas em um comício em Pernambuco, a tônica geral do filme é bastante séria, dirigindo-se para o melancólico final junto à lápide de Goulart. Boa parte desse tom agridoce ao revisitar o período é reforçado pela trilha sonora de Milton Nascimento e Wagner Tiso, exclusivamente incidental (inclusive com o tema musical do que viria a ser a canção Coração de Estudante, maciçamente utilizada logo após com a morte de Tancredo Neves). Tudo isso ajuda a compor uma figura de Goulart grave e densa, extremamente penetrante e enigmática, sobretudo através do uso de fotos fixas, num dos grandes achados do filme. Tampouco descura de uma contextualização do cenário político internacional, fazendo menção às guerrilhas de esquerda latino-americanas, sobretudo a morte de Che Guevara, a situação de Allende no Chile e a suposta operação militar naval americana para dar cobertura ao golpe. O resultado final, é de longe mais interessante que outro documentário de pretensões mais autorais sobre Jânio, Jânio a 24 Quadros (1981), de Luís Alberto Pereira. Caliban Prod. Cinematográficas/Rob Filmes. 115 minutos.

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