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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Filme do Dia: Serenata Tropical (1940), Irving Cummings

Serenata Tropical (1940) Poster

Serenata Tropical (Down Argentine Way, EUA, 1940). Direção: Irving Cummins. Rot. Original: Darrell Ware & Karl Tunberg, a partir do argumento de Rian James & Ralph Spence. Fotografia: Ray Rennahan & Leon Shamroy. Música: Cyril J. Mockridge. Montagem: Barbara McLean. Dir. de arte: Richard Day & Joseph C. Wright. Cenografia: Thomas Little. Figurinos: Travis Banton.  Com: Don Ameche, Betty Grable, Carmen Miranda, Charlotte Greenwood, J. Carrol Naish, Henry Stephenson, Kay Aldridge, Leonid Kinskey.
Ricardo Quintana (Ameche) é um dândi argentino que se encanta pela norte-americana Glenda Crawford (Grable) em Nova York. Ela se encanta igualmente por um dos cavalos de Quintana, que ele, por birra do pai (Stephenson), vende para outra mulher. Glenda viaja com a tia Binnie (Greenwood) à Argentina e lá reencontra Quintana, não hesitando mais sobre de quem será seu coração.  Sua tia, por sua vez, diverte-se com Tito Acuna (Kinskey).
O filme de estreia de Miranda no cinema norte-americano já apresenta todos os clichês de comédia musical que acompanharão seu filme seguinte (Uma Noite no Rio) e quem sabe outros: cenários estilizados a dedo para as berrantes cores do technicolor – trata-se do momento em que ocorre a transição dos musicais em p&b da RKO para as cores, processo que a Fox, e não a Metro, foi pioneira – ambientados em “locais exóticos” (aqui Buenos Aires, lá Rio), uma loura (aqui Grable, lá Alice Faye) e um carismático galã latino vivido pelo mesmo Don Ameche e também personagens de apoio bastante similares (não falta sequer a tia de Glenda/Grable (uma herança do pioneiro Voando para o Rio? Assim como o ansioso tipo vivido por Leonid Kinskey, uma versão um pouco mais suavizada e inócua do lobo “maníaco” por louras das animações de Tex Avery?); assim como cenas de encontros (e desencontros) em varandas com vistas românticas (evidentemente sobrepostas em back shot) e música incidental idem; e ainda o pot-pourri das canções ouvidas ao longo do filme ao final. Curiosamente embora o filme seguinte seja o primeiro a compartilhar da Política da Boa Vizinhança, não cometendo as gafes que lhe provocariam o ódio junto ao público portenho, como os números musicais repletos de rumbas ou números musicais cantados em português por Carmen e sem um tango sequer, além de personagens estereotipados e caricatos de argentinos, tais como o motorista sempre a cochilar ou um gaúcho aloprado como Casiano e uma Argentina completamente esquecida, a não ser pelos nightclubs e poucos planos filmados em Buenos Aires, de seus encantos urbanos, Miranda canta aqui todas as canções em português e ainda existe os tradicionais planos filmados em locações da metrópole argentina, detalhe que foi considerado desnecessário ao filme ambientado no Brasil. De fato é numa hacienda que vive Don Diego (emprestado de Zorro), pai do herói. E se o filme seguinte já foi produzido após uma chamada aos estúdios para se tornarem mais cuidadosos quando forem abordar os países latinos, aqui já existe uma fala da tia de Glenda que parece ser endereçada ao mesmo, afirmando se encontrar “cansadas dessas boas relações com os vizinhos”.  Os números musicais de Carmen, assim como seu próprio personagem, não se encontram integrados ao enredo, como se a Fox quisesse, a todo custo, ter querido tirar partido de última hora da súbita fama dela. O prestígio da cantora brasileira se dá ao surgir como terceiro nome do elenco, mesmo surgindo somente em seus números musicais, diante de muitos do elenco que se encontram presentes por muito mais tempo em tela. Carmen Miranda, que vive a si própria, canta duas músicas que são icônicas de sua carreira, no Brasil (Mamãe eu Quero) e em Broadway-Hollywood (South American Way). O título brasileiro é um tanto inadequado pois, a rigor, não ocorre nenhuma serenata no filme. Twentieth Century-Fox Film Corp. 89 minutos.


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