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terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Filme do Dia: Jardim das Folhas Sagradas (2007), Pola Ribeiro



Jardim das Folhas Sagradas (Brasil, 2007). Direção: Pola Ribeiro. Rot. Original: Pola Ribeiro & Henrique Andrade. Fotografia: Antônio Luiz Mendes. Música: Gerônimo & Ildásio Tavares. Dir. de arte: Gilson Rodrigues. Cenografia: Ivana Calumby da Silva. Figurinos: Maurício Martins. Com: Antônio Godí, Harildo Deda, João Miguel, Aurístela Sá, Sérgio Guedes, Érico Brás, Evelin Buchegger.
Bomfim (Godí), insatisfeito com sua vida de casado com uma evangélica (Buchegger) e trabalhando como bancário decide se aproximar de suas origens no candomblé. Envolvido afetivamente com o colega de banco, Castro (Miguel), é tido como possuído pelo demônio pela esposa. Ele abandona o banco e a esposa, porém Castro morre em um acidente de automóvel no qual dirigia. Bomfim decide criar o seu próprio terreiro, ao lado de sua nova namorada, Cora (Sá), mas terá que enfrentar a resistência dos evangélicos, assim como a ordem de justiça de desapropriação da área no qual o terreiro já se encontra construído. Um incêndio criminoso destrói o terreiro e mata o antropólogo Jairo (Guedes).
Longa de estreia de Ribeiro, mais conhecido como realizador de super-8 nos anos 1970, tais como Abílio Matou Pascoal, bastante marcado pela inconsistência na elaboração de seus personagens, que acaba por levar a um prólogo relativamente interessante que vai sendo continuamente solapado por sua esquemática opção de apresentar elementos associados à realidade dos cultos afro-descendentes e sua estigmatização social por parte da sociedade por um lado, assim como elemento de afirmação cultural-espiritual para os seus praticantes. É difícil descrever todas as precariedades que o filme acumula, que vão desde os sofríveis diálogos e interpretações até um roteiro mal costurado que, mesmo que eventualmente tendo como intenção representar simbolicamente algum personagem associado ao candomblé, soa pífio em termos de resultado dramático. Nesse sentido, a reviravolta representada pelo relacionamento com Castro, termina por soar apenas como um rito de passagem para uma nova afetividade mais próxima da afirmação de negritude de Bomfim, como com sua relação com as mulheres, já que inexplicavelmente o personagem tampouco apresentará mais nenhuma atração pelo mesmo sexo, sendo que a morte brusca do personagem de Castro  comentada na própria trama como equivalente a dos personagens gays das telenovelas brasileiras. O que poderia ter ganho em termos de dimensão poética, inclusive visual, dada a trajetória de seu realizador, torna-se refém de um discurso de afirmação racial tão ou mais inconvincente que muitas outras produções nacionais com intuito semelhante (tais como Filhas do Vento) que parece menos avançarem do que retroagirem em relação ao que havia sido produzido em outros momentos pelo cinema brasileiro, tal como algumas produções da década de 1970 (Compasso de Espera, Na Boca do Mundo ) Studio Brasil. 90 minutos.


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