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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Filme do Dia: Faces (1968), John Cassavetes


Faces Poster


Faces (EUA, 1968). Direção e Rot. Original: John Cassavetes. Fotografia: Al Ruban & Maurice McEndree. Montagem: Al Ruban, Maurice McEndree & John Cassavetes. Dir. de arte:  Phedon Papamichael. Cenografia: Lady Rowlands. Com: John Marley, Gena Rowlands, Lynn Carlin, Fred Draper, Seymour Cassel, Val Avery, Dorothy Gulliver, Joanne Moore Jordan.
Richard Frost (Marley), homem de meia-idade, abandona sua esposa, Maria (Carlin) pela mais jovem Jeannie (Rowlands). Maria sai para a noite com amigas e conhece o jovem Chet (Cassel), por quem se sente atraída. Após uma tentativa de suicídio de Maria, a dupla é supreendida pelo repentino retorno de Richard e Chet foge pela janela da casa.
Quando se compara o filme de Cassavetes com filmes convencionais que abordavam um tema que incluía elementos da então recente revolução sexual (tais como Bob&Carol&Ted&Alice  e Shampoo ou mesmo dramas como Sweet November, do mesmo ano) dá para ter uma idéia do lugar especial que é reservado a Cassavetes dentro da cinematografia americana. Menos preocupado em utilizar uma temática da “moda” para servir como chamariz para seu filme, e muito menos em construir uma narrativa fechada, Cassavetes se preocupa – como em boa parte de sua filmografia mais autoral – em demonstrar a fragilidade de personagens cuja excessiva subjetividade e afetividade se choca com as exigências e convenções sociais de um mundo em que as relações profissionais, e mesmo pessoais, já de muito perderam qualquer relação mais orgânica com os impulsos e desejos pessoais. É quase didático, nesse sentido, que na sua seqüência mais dramática (reproduzida em Uma Viagem  Pessoal pelo Cinema Americano de Scorsese), o jovem amante, recussitando sua parceira, caricature o modo completamente mecânico como as pessoas levam suas vidas. Como em outros filmes, os personagens buscam no álcool a saída para a tentativa de expressão dessa subjetividade tolhida. Porém a pedra de toque para o sucesso do filme é, sem dúvida alguma, o processo bastante idiossincrático de contato com os atores, que são filmados em seqüência, maximizando o efeito dramático muitas vezes perdido nos planos de filmagem convencionais, realizados com grandes lapsos de tempo.  Tal opção, associada com uma câmera de efeito quase tátil, centrada grandemente nos primeiros planos dos rostos dos atores tal como indica o título, e uma equipe de produção diminuta, conseguem traduzir uma intensidade inalcançável por outros realizadores. Algo que mesmo gerações de realizadores influenciados ou não por Cassavetes, tais como o próprio Scorsese e os realizadores do Dogma-95, não o conseguiram. Destaque para as atuações soberbas de Rowlands, Carlin e Marley, esse último praticamente encarnando a própria persona do Cassavetes ator. Até mesmo a canastrice de Cassel parece aqui bem afinada com seu personagem de provinciano de Detroit (sua cidade natal na vida real) em meio a um grupo de mulheres mais ricas que o desejam, no sentido de que rende enquanto espontaneidade. O tino para a direção de atores de Cassavetes é evidente quando se toma a interpretação de Carlin, que nunca antes havia sequer atuado e era secretária de Robert Altman durante o início da produção do filme. National Film Registry em 2011. Walter Reade Org. 130 minutos.


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