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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Filme do Dia: Contra Todos (2004), Roberto Moreira


Contra Todos (2004) Poster


Contra Todos (Brasil, 2004). Direção e Rot. Original: Roberto Moreira. Fotografia: Adrian Cooper. Música: Lívio Trachtenberg. Montagem: Mirella Martinelli. Dir. de arte e Figurinos: Marjorie Gueller & Joana Porto. Com: Leona Cavalli, Sílvia Lourenço, Ailton Graça, Giulio Lopes, Martha Meola, Dionísio Neto, Gustavo Machado, Paula Pretta, Ismael de Araújo.
Na periferia de São Paulo, Teodoro (Lopes) é casado com Cláudia (Cavalli), e pai de Soninha (Lourenço). Enquanto Teodoro passa a se interessar pela evangélica Terezinha (Meola), sua mulher possui um caso com o amigo da filha, Júlio (Araújo). Sem que a família saiba, o religioso Teodoro também é membro de um esquadrão de justiceiros, com a cumplicidade do amigo Waldomiro (Graça). Quando Júlio aparece morto e castrado, Cláudia abandona a família certa de que se tratara de uma ação do marido. Soninha passa a ter um caso com Waldomiro. Teodoro ganha um dinheiro do pai de Júlio para justiçar a sua morte e mata seu melhor amigo. Ao tentar abandonar a vida criminosa e reinventar-se ao lado de Terezinha, é rejeitada por ela, que recebe um vídeo em que ele, Teodoro, filmou a si próprio fazendo sexo com Cláudia. Cláudia, vivendo às custas de Waldomiro, passa a morar em um hotel, relacionando-se com o porteiro Lindoval (Neto). Cláudia retorna para casa, enquanto Waldomiro e Soninha fazem amor. Esfaqueia o marido e é morta por ele. Resiste a fugir com Waldomiro. Waldomiro casa-se com Terezinha.
Demonstrando ter conseguido um bom domínio no realismo dramático com que dirige seus atores, ao contrário de tentativas semelhantes como as movidas por Tata Amaral, ao retratar um universo periférico semelhante o filme,  no entanto, enreda-se na exploração do universo de violência e sexo, mesclado a ingredientes dos filmes de gênero (ainda que aqui em bem menor escala) que fizeram a fama de um de seus modelos mais célebres, Cidade de Deus, sendo produzido por Meirelles. Nesse sentido, falta aqui a delicadeza ou o interesse pelos personagens de classe baixa presentes em outros realizadores paulistas contemporâneos como Tata Amaral ou Ricardo Elias. E soçobram clichês que, mesmo no nível de uma descrição realista, não conseguem se equiparar a densidade de propostas ainda mais radicais, como o naturalismo de um Amarelo Manga, de Cláudio Assis. A estética do filme, no entanto, difere bastante de Cidade de Deus, sendo uma produção despojada que procura intensificar seu realismo a partir de um trabalho de câmera na mão, imagem suja, pouco burilada e improviso dos atores em cena a partir de elaborados ensaios prévios, ao estilo Dogma-95. Coração da Selva/02 Filmes. 95 minutos.


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