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segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Filme do Dia: Mulher de Verdade (1954), Alberto Cavalcanti





Mulher de Verdade (Brasil, 1954). Direção: Alberto Cavalcanti. Rot. Original: Oswald Molles & Miroel Silveira. Fotografia: Edgar Brasil. Música: Cláudio Santoro. Montagem: José Cañizares. Dir. de arte: Francisco Balduíno. Com: Inesita Barroso, Cole Santana, José Sanz, Raquel Martins, Adoniran Barbosa, Carla Nell. Valdo Wanderley.
Bamba (Santana), conhecido malandro, é ferido em confronto com a polícia enquanto fazia serenata em um bairro residencial. Tratado pela cuidadosa enfermeira Amélia (Barroso), transforma-se em rapaz trabalhador, entrando para o Corpo de Bombeiros e se casando com Amélia. Amélia, porém, cai na armadilha do diretor do hospital, que afirma que um paciente o rico Lauro  encontra-se  moribundo e pretende se casar com ela como último desejo. Casada novamente, ela se divide entre dois maridos, afirmando que está trabalhando no hospital. Seu difícil equilíbrio desmorona de vez quando em um incêndio, em seu luxuoso apartamento em Copacabana, é salva pelo próprio marido, que não a reconhece no momento. Numa festa oferecida pelo marido de Amélia, uma das surpresas é justamente uma homenagem ao bombeiro que a salvou.
Uma das produções menos conhecidas e bem sucedidas de Cavalcanti, que teve seu nome associado sobretudo a sua carreira européia, com filmes de ficção (como o notável episódio para No Silêncio da Noite) e documentários (para a célebre Escola Documental Britânica). Produção tosca e irregular, ainda assim possui alguns momentos cômicos que funcionam. Mesmo possuindo seus paralelos com a chanchada carioca, como uma busca de representação de elementos do povo, o resultado final soa menos orgânico e verossímil. A seqüência inicial, assim como muitos outros momentos, sofrem de uma empostação teatral na interpretação e movimentação dos atores, assim como o próprio ritmo de determinadas seqüências está longe de ser bem efetivado – notadamente a seqüência do incêndio. Curiosamente, apresenta um perfil de mulher atípico da produção de então, sendo não apenas independente como, mesmo tendo sido descoberto e tornado público o caso de bigamia, disposta a ficar com os dois maridos (situação que o filme tampouco antipatiza, sendo precursor de produções como Eu, Tu, Eles). Existe a habitual caricaturização das elites, que tampouco era ausente na produção contemporânea da Atlântida. Kino Filmes. 88 minutos.

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