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quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Filme do Dia: Nas Garras da Ambição (1955), Raoul Walsh



Nas Garras da Ambição (The Tall Men, 1955, EUA). Direção: Raoul Walsh. Rot. Adaptado: Frank S. Nugent & Sydney Boehm, a partir do romance de Heck Allen. Fotografia: Leo Tover. Música: Victor Young. Montagem: Louis R. Loeffler. Dir. de arte: Mark Lee-Kirk & Lyle R. Wheeler. Cenografia: Chester Bayhi & Walter M. Scott. Figurinos: Travilla. Com: Clark Gable, Jane Russell, Robert Ryan, Cameron Mitchell, Juan García, Harry Shannon, Emile Meyer, Steve Darrell.
          Os irmãos Ben (Gable) e Clint (Mitchell), após terem roubado o influente Nathan (Ryan), concordam  com esse que podem ganhar menos dinheiro e não terem o risco de serem enforcados, de forma mais honesta, trabalhando para o mesmo, que pretende levar um rebanho de 5 mil reses do Texas até Montana. A dupla aceita e parte com um grupo de mexicanos como apoio, salvando a bela Nella (Russell) dos indígenas. Nella se envolve emocionalmente com Ben em meio a acidentada travessia, porém sua pouca ambição a faz se distanciar dele e se aproximar do grã-fino Nathan. Após uma série de dificuldades do grupo, incluindo um enfrentamento contra um grupo de bandoleiros oportunistas assim como contra os índios e a morte de Clint por esses, o grupo finalmente chega a seu destino. Nathan tenta ser desonesto com Ben, tendo alguns pistoleiros como garantia de que esse não reagirá, porém ele já veio precavido com um número muito maior de homens, os fiéis mexicanos. Desapontado por Nella não ter ficado com ele, Ben resiste à comemoração pela pequena fortuna conquistada com a façanha. Logo, no entanto, perceberá que quem se encontra em seu carroção é ninguém menos que Nella.
           Com a dupla linha narrativa típica do cinema clássico, sendo que a preponderância dessa varia ao longo da narrativa, logo após certo tempo a refrega do triângulo amoroso ganhando destaque sobre a própria travessia, esse espalhafatoso western, filmado em tela panorâmica e cores, assim como grandiloquentes panorâmicas que apresentam o cenário grandioso, repleto de reses ou de índios, a depender do momento (eles chegam a ser comparados como tão numerosos quanto às pulgas num cachorro), reforça a condição de gênero habitual dos papéis reservados ao homem e a mulher, assim como a raça, ao contrário de mais ousadas incursões no psicologismo contemporâneas (Johnny Guitar e, principalmente, Rastros de Ódio, para se ficar em dois exemplos). Comparado com o último, o filme se torna um exercício de provável subserviência ao seu roteiro igualmente adaptado de um romance, e por sinal tendo como um seus roteiristas o mesmo Nugent. Se Ford complexifica ao absurdo as questões presentes no livro e em sua adaptação como roteiro, aqui se tem uma quase compulsiva e didática elegia ao herói branco no comando, sendo os índios somente o  habitual obstáculo fácil de sempre e os mexicanos, uma simpática trupe de submissos fãs do herói, assim como seu civilizado contraparte branco, demasiado indeciso diante das decisões vitais. Esse, por sua vez, também apresenta uma vitalidade e caráter – demonstrado ao final, quando revela sua verdadeira faceta - que falta a seu concorrente na figura da amada e uma maturidade ausente no irmão, por isso mesmo devidamente morto. Quanto à figura da mulher, sua representação se encontra bem longe de elogiosa, mesmo para os padrões habitualmente misóginos de um realizador como Ford. Calculista durante quase toda a narrativa e driblando o próprio desejo/sentimento pela ambição/dinheiro que faz curiosa referência o título brasileiro, a mocinha vivida por Russell sofre previsivelmente  quando pretende seguir sua própria intuição inábil de criança mimada, caindo na lama do rio, para a diversão sádica, mas não excessiva como a do irmão, de Ben. 20th Century Fox Film Corp. 122 minutos.



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