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domingo, 4 de outubro de 2015

Filme do Dia: Tepeyac (1917), Carlos E. González, José Manuel Ramos & Fernando Sáyago

Tepeyac (México, 1917). Direção: Carlos E. González, José Manuel Ramos & Fernando Sáyago. Rot. Original: Carlos E. González & José Manuel Ramos. Fotografia: Ladislao Cortés. Com: Roberto Arroyo Carillo, Pilar Cota, Gabriel Montiel, Emilia Otaza, Beatriz de Córdova, José Manuel Ramos, Luis García Carrilo, Carlos E. González.
Noiva de Carlos (Carillo), Lupita vê com bastante pesar sua partida. Pouco tempo depois, observa desesperada que o navio no qual se encontrava, de bandeira francesa, foi afundado por um submarino alemão. Aflita, deprimida e consolada por sua mãe (Otaza), Lupita tenta conciliar o sono lendo a história do índio Juan Diego (Montiel), a quem a Virgem de Guadalupe (de Córdova) aparecia com frequência. Preocupado com a saúde agravada do tio, Juan Diego busca se desvencilhar da aparição, temendo recriminações e vai por outro caminho, novamente a encontrando. Ela pede que ele colha flores em cima de um despenhadeiro e as leve ao bispo (Ramos). Quando esse as leva, os frades, inicialmente pouco receptivos ao índio, passam a acreditar quando veem o colorido diferente das rosas. Quando esse as despeja ao chão, em seu manto surge a figura da Virgem. Essa, também havia aparecido para seu tio e quando o médico chega para lhe visitar, já se encontra plenamente recuperado. Lupita finalmente adormece. Na manhã seguinte, recebe da mãe ótimas notícias. Carlos escapou do afundamento do navio. Quando este retorna, a conselho da mãe, o casal visita  a igreja e o local onde a virgem surgiu ao índio.
Essa abordagem pioneira da questão indígena pelo cinema mexicano de ficção, dividido em seis partes, demonstra uma relativa maturidade no trato com a narrativa, quando se compara com algumas experiências de anos anteriores, como a adaptação de Amalia pelo cinema argentino três anos antes. Se existem indícios de certa precariedade no processo de sua filmagem, como alguém que se torna inadvertidamente parcialmente visível no momento da aparição da Virgem para o tio enfermo, de uma maneira geral também no trato da imagem há uma relativa felicidade com que apresenta a narrativa, de uma simplicidade que se acompanha sem maiores problemas. É curioso se perceber que a dimensão de registro documental que se torna um atrativo tão grande provavelmente para o público da época quanto a própria trama ficcional – presente sobretudo no final a ressaltar os locais de peregrinação a Virgem – e que também se reflete na elaboração da própria imagem: embora a cartela faça menção a um beijo final abençoado pela igreja ao final do filme, apenas se observa a igreja e não o casal selando seu amor (terá sido perdido os fotogramas que o representam ou pudicamente se preferiu apenas a referência escrita ao final feliz?); da mesma forma é mais vinculada as vistas que propriamente ao cinema ficcional a imagem em movimento a partir do navio que leva o herói. Os indígenas, representados de forma um tanto subservientes na maior parte do filme, são observados capturando um conquistador espanhol e sendo salvos da morte após captura por esses através de intervenção dos religiosos. E, se em última instância, a trama que diz respeito a eles apenas serve como passaporte para selar o conforto da noiva burguesa desesperada e sua posterior felicidade ao reencontrar seu amado, deve-se salientar não só que a presença dessa abrange a maior parte da narrativa do filme como também da existência de cartelas que afirmam que o próprio nome da Virgem de Guadalupe foi uma contrafação de seu nome indígena original.  Uma restauração da cópia desse filme levou muitos anos até ser concluída em 2001, tendo sido acrescentada uma trilha musical que faz uso de instrumentos indígenas, versão essa que não é a aqui referida. Em comparação ao cinema brasileiro, a existência de uma cópia da produção que faz referência ao indigenismo mexicano preservada em relação a não sobrevivência de qualquer das versões dos romances de José de Alencar para o cinema da década de 1910 acentua as diferenças entre a representatividade do cinema mexicano no panorama latino-americano como um todo.  Films Colonial. 57 minutos.


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