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sábado, 31 de outubro de 2015

Filme do Dia: Histórias Tenebrosas (1919), Richard Oswald



Histórias Tenebrosas (Unheimliche Geschichten, Alemanha, 1919). Direção: Richard Oswald. Rot. Original: Anselma Heine (A Aparição); Robert Liebmann (A Mão);  Richard Oswald (A Assombração). Rot. Adaptado: a partir da obra de Edgar Allan Poe (O Gato Preto); a partir da obra de Robert Louis Stevenson (O Clube dos Suicidas).Fotografia: Carl Hoffman. Cenografia: Julius Hahlo. Com: Anita Berber, Conrad Veidt, Reinhold Schünzel, Hugo Döblin, Paul Morgan, Georg John.
A Aparição. Mulher (Berber) é constantemente perseguida pelo marido (Schünzel), de quem já se separou. Seu protetor (Veidt) de uma situação de conflito transforma-se em seu novo pretendente. Porém, o antigo marido continua a atormentar a vida do casal. Quando eles se hospedam em um hotel, o ex-marido por lá surge. E quando o atual pretendente, horrorizado com o sumiço da mulher, busca ajuda no hotel e na polícia, nenhum registro consta da chegada da mesma. A Mão. Dois homens (Schünzel e Veidt) brigam pela mesma mulher (Berber). Eles tiram no dado quem ficará com ela. Após a vitória de um deles (Veidt), o outro, inconformado, mata-o. Após voltar a encontrar a mulher, tempos depois, seu namoro com ela é incomodado pela constante presença do fantasma do homem que assassinara e que o matará de forma semelhante. O Gato Preto. Alcóolatra inverterado (Schünzel), numa discussão com a mulher, enciumado com a corte que um viajante (Veidt) que oferece pousada faz a sua mulher, mata-a acidentalmente. Ele esconde o corpo na casa. O  viajante visita a casa mais de uma vez. Da segunda vez, acompanhado por outros homens que procuram pelo corpo da mulher, encontrando-a encerrada, com o gato preto vivo de estimação, numa das paredes do porão. O Clube dos Suicidas. Policial (Schünzel) descobre que numa mansão abandonada existe um clube de suicidas liderado por um estranho homem (Veidt), que decide o destino das pessoas a partir de um jogo de cartas. Toda semana um dos homens é eleito. O policial é escolhido. Atemorizado, ele aparentemente morre literalmente de medo. Porém, quando o presidente do clube chega, demonstra estar apenas fingindo e revela sua verdadeira identidade. A Assombração. Homem metido a galã (Schünzel), hospedado no castelo de uma dama  (Berber) negligenciada pelo marido (Veidt), pretende tirar proveito de sua solidão. Ele é desmascarado pelo marido como covarde, fazendo que o casal volte a ficar próximo novamente.
Embora esse filme tenha tudo para ser tido como fruto do caligarismo que seguiu o lançamento do célebre O Gabinete do Dr. Caligari (1919), dado a sua temática fantástica e a estilizada iluminação e cenografia, além das interpretações excessivas e a presença do mesmo indefectível Veidt, não se trata do caso aparentemente, já que foi lançado alguns meses antes daquele. Emoldurado por uma narrativa no qual o trio que surge em quatro dos cinco episódios como personagens centrais, enquanto quadros que ganham vida em uma biblioteca e assombram seu proprietário, sendo a encarnação do demônio, da prostituta e a morte, divertem-se lendo histórias protagonizadas por eles próprios. Um dos cinco episódios facilmente destoa do conjunto, ao não apresentar a característica do triângulo amoroso observado nos restantes, além de ser o talvez menos resolvido dramaticamente (O Clube dos Suicidas), juntamente com a adaptação de Poe, cujo início promissor e atmosférico é prejudicado pela falta de ritmo.  Curiosamente, são os próprios roteiros originais que acabaram tendo um resultado mais interessante. Afinal, se se tratava de um clube de suicidas, qual o motivo para tanto temor de se ter a carta escolhida selando o destino imediato da morte?  Existem algumas soluções visuais que antecipam algo de mais elaborado produzido posteriormente, como é o caso da sequência em que o homem observa a mão daquele que assassinara, no momento em que assiste a apresentação da mulher que motivara o crime, no episódio que significativamente se chama A Mão. Sua estrutura episódica pioneira e o fato de também contar com adaptações de contos de horror o fazem antecipar em décadas a estrutura de Histórias Extraordinárias e, mais aproximadamente, a de filmes como O Gabinete das Figuras de Cera. A maquiagem diferenciada, mas habitualmente carregada, utilizada em Veidt não apenas é evocativa de seu mais célebre papel no filme de Wiene, como o faz uma versão antecipada do que seria Lon Chaney para o terror norte-americano da década seguinte. O profícuo Oswald dirigiria outras oito produções no mesmo ano, dentre elas a que hoje é mais lembrado (Anders als die Andern/Different from the Others). Oswald efetuaria uma versão sonora em 1932. Richard-Oswald-Produktion. 112 minutos.


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