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terça-feira, 20 de outubro de 2015

Filme do Dia: As Corças (1968), Claude Chabrol

As Corças (Les Biches, França, 1968). Direção: Claude Chabrol. Rot. Original: Paul Gégauff & Claude Chabrol. Fotografia: Jean Rabier. Música: Pierre Jansen. Montagem: Jacques Gaillard. Cenografia: Marc Berthier. Figurinos: Michel Albray. Com: Jean-Louis Trintignant, Jacqueline Sassard, Stéphane Audran, Nane Germon, Henri Attal, Dominique Zardi, Serge Bento, Henri Frances.
A endinheirada Frédérique (Audran), enamorada de uma garota que conheceu na rua e que se auto-denominou como Why (Sassard) vai para uma casa de praia no Mediterrâneo, onde moram os histriônicos Robèque (Attal) e Riais (Zardi). Why, insatisfeita e entediada, sai e se envolve com um dos jogadores com os quais Frédérique jogara, Paul Thomas (Trintignant). Frédérique vai até a casa de Paul e eles estabelecem uma relação, sendo Why posta de lado. Após certo tempo, Paul é convidado a morar na mansão e a dupla Robèque e Riais é expulsa. As constantes viagens e a sensação de se encontrar à margem do casal, aproximando-se cada vez mais da figura de uma serviçal, faz com que Why viaje por sua própria conta para Paris. Ela retorna após um tempo e não é bem recebida por Frédérique, que a mata pouco antes da chegada de Paul à mansão.
Longe de seus melhores momentos, aqui Chabrol erra a dose e procura estabelecer uma certa atmosfera de surrealidade partindo não apenas do estranhamento construído pela própria narrativa, mas apresentando personagens igualmente anti-realistas, como é o caso da dupla de moradores-parasitas, sustentados pela liberalidade de Frédérique, até se aborrecer com eles. Arrastado e sem propósito, esse que é mais um dos inúmeros filmes do realizador a apresentar a neurose gerando psicopatologia em ambientes burgueses – ainda que aqui, provocado por uma personagem outsider – o filme parece antecipar, em certo sentido, uma extravagância ainda mais pretensamente excêntrica, dirigida na década seguinte por Polanski, com seu Que? (1973). Da trilha sonora à tentativa de mimetização da figura de Frédérique por Why, assemelhando-se mais a um pastiche de Persona (1966), de Bergman, o filme parece ser contaminado do início ao final pela própria inocuidade de seus personagens, assim como ter se tornado demasiado explícito na elaboração psicológica deles, tornando-se grandemente datado. Les Films de la Boétie/Alexandra Produzione Cinematografique para Pathé Consortium Cinema/La Societé des Films Sirius. 100 minutos.


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