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domingo, 11 de outubro de 2015

Filme do Dia: O Casamento (1976), Arnaldo Jabor

O Casamento (Brasil, 1976). Direção: Arnaldo Jabor. Rot. Adaptado: Arnaldo Jabor, baseado no romance de Nélson Rodrigues. Fotografia: Dib Lutfi. Montagem: Rafael Valverde. Cenografia e Figurinos: Francisco Altan & Mara Chaves. Com: Adriana Prieto, Paulo Porto, Camila Amado, Nélson Dantas, Érico Vidal, Fregolente, Mara Rúbia, Carlos Kroeber, André Valli, Cidinha Millan.
Glorinha (Prieto) se encontra às vésperas de de seu casamento quando uma série de revelações atormentam ela e seu círculo de familiares e amigos. Dr. Camarinha (Fregolente), amigo de Sabino (Porto), seu pai, afirma que o noivo de Glorinha é homossexual. Glorinha, por sua vez, revela para ele que fora amante de seu filho morto há um ano atrás, Antônio Carlos (Vidal). Sabino revela para Noêmia (Amado), sua secretária com quem acaba tendo uma relação sexual, que vivenciara uma prática homossexual quando criança e a chama pelo nome da filha. Noêmia, por sua vez, amante de Xavier (Dantas), que vive com uma mulher leprosa (Rúbia) que há muito não faz mais que cuidar, revela para ele que não pretende mais ser sua amante. Glorinha se dirige com o pai para uma praia deserta, onde faz insinuações que o ama e, quando beijada pelo pai, corre desesperada e afirma para a mãe que o pai tentara lhe violentar. Xavier, por sua vez, assassina Noêmia no escritório. Completamente aturdido, Sabino sai da cerimônia de casamento da filha e se entrega como o assassino de Noêmia.
               Segunda adaptação da obra de Rodrigues realizada por Jabor e sem a mesma força que a anterior, Toda Nudez Será Castigada (1972). Optando aqui por uma versão menos escrachada que conscientemente buscando se tornar incômoda em seu excesso, acaba não realizando de todo seu intento, apesar da insistência na duração de alguns planos e situações (ambas estratégias que já haviam sido delineadas pelo Cinema Marginal com ainda mais radicalismo). Esse fracasso parcial se deve, em grande parte, a um trabalho de direção de atores mais precário que na produção anterior e uma ambiguidade presente no patético e no excessivo tom melodramático limítrofes do cômico.  Talvez tal se dê, em grande parte, já que todo o desespero e niilismo histéricos dos personagens do Cinema Marginal quando filtrados a partir de uma chave mais realista soarem excessivos. Também parece flertar com o apelo erótico de uma maneira gratuita com mais intensidade que na produção anterior. Como no filme anterior, e aqui de uma maneira mais complexa, a trama narrativa é tecida grandemente com a utilização de flashbacks.  O próprio cineasta, ao lançar as cópias em VHS e DVD fez uma nova versão, 15 minutos mais curta, atenuando o que ele acreditava ser por demais excessivo no filme, talvez retirando igualmente muito do próprio propósito do original. Ventania Prod. Cinematográficas/Sagitário Filmes/ Produções Cinematográficas Roberto Farias. 110 minutos.

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