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terça-feira, 13 de outubro de 2015

Filme do Dia: Eles Voltam (2012), Marcelo Lordello


Eles Voltam (Brasil, 2012). Direção e Rot. Original: Marcelo Lordello. Fotografia: Ivo Lopes Araújo. Música: Caçapa. Com: Maria Luiza Tavares, Georgio Kokkosi, Elaine de Moura, Mauricéia Conceição, Irma Brown, Germano Hauit.
Cris (Tavares) é uma garota de 12 anos que aparentemente foi deixada com o irmão Peu (Kokkosi) no meio de uma estrada. Ela é acolhida improvisadamente por várias pessoas e família, até reencontrar uma casa da sua família e retornar ao Recife, encontrando os pais acidentados em um hospital.
Talvez o que haja de mais interessante no filme seja o próprio fio narrativo com que tudo é descrito, pela via da itinerância e deambulação. Talvez o de menos seja a algo esquemática “conscientização” de Cris  com relação ao universo burguês do qual faz parte. As interpretações “não dramatizadas”, que procuram – ou na verdade apenas espelham – as falas em certo tom monocórdio, mais beneficiam o projeto como um todo do que depõem contra ele, já que são efetivadas por atores não profissionais em sua maior parte e se casam bem com a perspectiva mais ampla e a atmosfera que enseja uma certa ordem do acaso, e a qual, o espectador tampouco terá conhecimento de muitos de seus pontos centrais. Caso do plano demasiado amplo do início, quando os filhos findam por abandonar o carro e do acidente posterior que deixa os pais em estado de saúde delicado no hospital. Por mais que soe algo igualmente forçoso em sua tentativa de impor uma certa “bossa contemporânea” à produção. Seu “estranhamento”, que é basicamente construído a partir dessas mesmas situações lacunares, assemelha-se superficialmente com o de realizadores contemporâneos como a argentina Lucrecia Martel, porém evidentemente sem o mesmo domínio formal ou relativa sutileza nas implicações sobre o plano social mais amplo. E é justamente uma tendência a uma certa pretensão a “profundidade” a partir, muitas vezes, de não mais que um banal jogo de dados com o aleatório que talvez mais irrite no filme. Curiosamente até mesmo a interpretação dos atores profissionais parece se ajustar a essa chave amadora, como é o caso de Germano Hauit. Trincheira Filmes. 100 minutos.

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