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sexta-feira, 2 de outubro de 2015

The Film Handbook#43: Busby Berkeley

A coreografia caracteristicamente caleidoscópica de Busby Berkeley de um plano extraído da sequencia de By the Waterfall em Belezas em Revista/Footlight Parade
Busby Berkeley
Nascimento: 29/11/1895, Los Angeles, Califórnia, EUA
Morte: 14/03/1976,  Palm Springs, Califórnia, EUA
Carreira (como diretor): 1930-62

Se William Berkeley Enos não foi o melhor diretor de musicais dos anos 30, foi certamente o mais original diretor de sequencias musicais. A maior parte de sua carreira, sua imaginação fantástica foi chamada simplesmente para inventar os mais espetaculares números de dança que iriam animar ou distrair dos enredos mornos e batidos.

Nascido em uma família de teatro - sua mãe foi trabalhar na noite quando seu pai morreu, incutindo-o com a ideia que "o show deve continuar" - Berkeley passou boa parte da I Guerra Mundial coreografando desfiles e shows encenados para os acampamentos do exército. Os tempos de paz o encontraram-no produzindo musicais da Broadway e, em 1930, Sam Goldwyn o convidou para dirigir as cenas musicais de Whoopee!; além de promover Eddie Cantor ao status de astro, o filme, apresentando planos acima das cabeças das Goldwyn Girls em padrões caleidóspicos semelhantes a flores insinuou o futuro estilo de Berkeley.

O ano de 1933 viu Berkeley em plenos poderes, contribuindo para o frequentemente surreal escapismo de clássicos como Rua 42/42 Street, Cavadoras de Ouro/Gold Diggers of 1933>1 e Belezas em Revista/Footlight Parade>2. Os talentos de Berkeley eram menos coreográficos - havia de fato muita pouca dança - que cinemáticos. Ao visualizar as sequencias de palco dos bastidores de dramas musicais, abandonaria as limitadas perspectivas teatrais do arco do proscênio, liberando sua câmera a se arrebatar, voar e observar do alto, preenchendo seu "palco" com extras vestidas exoticamente arranjadas simetricamente em cenários inacreditavelmente suntuosos. As composições visuais absurdas e abstratas, as sugestões verbais e visuais e uma câmera soberbamente em movimento juntas criaram imagens ousadas tanto sexual quanto formalmente. Na impressionante trilogia dos números que tem seu clímax com Honeymoon Hotel em Belezas em Revista é povoado somente por insolentes e risonhas duplas de recém-casados; By a Waterfall apresenta uma festa esportiva aquática de coristas, a câmera através de um túnel de pernas divididas; e Shangai Lil' transformava uma parada de marinheiros e civis patriotas na Águia Americana. Cavadoras de Ouro, no entanto, mergulhou no Expressionismo para descrever o sofrimento de veteranos de guerra desempregados em seu final estranhamente sombrio com Remember My Forgotten Men

Ao longo dos anos 30, o gênio de Berkeley foi fomentado de forma mais simpática na Warner Bros., onde a mágica fotografia de Sol Polito e o gosto do estúdio por dramas morais ativaram seus bizarros voos de fantasia. Mudando-se em 1939 para a MGM, ele foi reduzido a embelezar os mais prosaicos talentos adolescentes de Mickey Rooney e Judy Garland em filmes tais como Sangue de Artista/Babe in Arms e Calouros na Broadway/Babes on Broadway. Seu olhar excêntrico não foi negligenciado de todo, entretanto: Entre a Loura e a Morena/The Gang's All Here>3 incluía Carmen Miranda com um escandalosamente sugestivo chapéu tutti-frutti e sessenta garotas dançando com bananas gigantes; o estilizado A Bela Ditadora/Take me Out to the Ball Game - o último filme que Berkeley dirigiu por completo - apresentava a dupla de colaboradores Gene Kelly e Stanley Donen; em A Rainha do Mar/Million Dollar Mermaid, coreografou a maior parte dos balés  aquáticos de Esther Williams.

O faro técnico e visual de Berkeley e seu flagrante desrespeito pelo realismo, coloca-o entre os mais formalmente ambiciosos visionários do cinema; como um apropriado posfácio de sua carreira no cinema, em 1971 tanto ele quanto Ruby Keeler (estrela de diversos de seus filmes dos anos 30) suspenderem o seu afastamento do mundo artístico para um revival de No, No, Nanette, na Broadway.

Cronologia
Ainda que muitos dos musicais tenham seguido o exemplo de Mamoulian e Minnelli de integrarem as canções e danças às histórias, a extravagância visual de Berkeley se tornou condição sine qua non de musicais de maior orçamento. Porém, seu senso virtualmente abstrato de composição  e jogo de insinuação sexual possui paralelos mais próximos com a vanguarda; por outra perspectiva, seu formalismo também é evocativo da obra de Leni Riefensthal.

Destaques
1. Cavadoras de Ouro, EUA, 1933 c/Ruby Keeler, Dick Powell, Warren William

2. Belezas em Revista, EUA, 1933 c/James Cagney, Joan Blondell, Ruby Keeler, Dick Powell

3. Entre a Loura e a Morena, EUA, 1943 c/Alice Faye, Carmen Miranda, James Ellison

Texto: Andrew, Geoff. The Film Handbook. Londres: Longman, 1989, pp. 24-5.

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