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sexta-feira, 11 de setembro de 2015

The Film Handbook#40: Brian De Palma

Brian De Palma
Nascimento: 11/09/1940, Newark, New Jersey, EUA
Carreira: 1960-

Apesar de Brian De Palma apresentar um domínio da tecnologia do cinema, de todos os "fedelhos do cinema" que ascenderam ao poder nos anos 70, parece o menos emocionalmente satisfatório; a impressão permanente que se tem ao se assistir a seus filmes é de um triste desperdício de talento mal aplicado.

Ainda enquanto estudante, De Palma dirigiu uma série de curtas vagamente underground que antecipavam a sátira anti-estabelishment de seus primeiros longas. Em Festa de Casamento/The Wedding Party a ação improvisada e a montagem frenética exibiam a influência de Godard: Murder à la Mod imitava o melodrama, os thrillers de Hitchcock e a comédia muda; Dionysus in '69 experimentava com a tela dividida; Quem Anda Cantando Nossas Mulheres/Greetings e Oi, Mâe!/Hi, Mom! foram espasmodicamente divertidas comédias em estilo de revista sobre fuga ao alistamento militar e voyeurismo, notáveis por seu humor anárquico, estilo de câmera cinema verité e a presença do jovem Robert De Niro.

Após um primeiro e infeliz contato com Hollywood quando da realização da supostamente excêntrica sátira juvenil O Homem de Duas Vidas/Get to Know Your Rabbit, De Palma se moveu para um estilo de realização mais comercial. Um thriller conciso sobre a investigação de uma,  jornalista a respeito do assassinato que somente ela acredita, Irmãs Diabólicas/Sisters abre com uma cena derivada de Janela Indiscreta e apresenta um assassino psicologicamente assemelhado ao Norman Bates de Psicose. Essa homenagem a Hitchcock foi aprimorada pelo inventivo uso da tela dividida por De Palma para incorporar os temas do voyeurismo e da esquizofrenia. Ainda mais criativo, O Fantasma da Ópera>1, uma atulização ricamente temática da história do Fantasma da Ópera (com elmeentos de Fausto incluídos em boa medida) empregam a tecnologia ultra-moderna do vídeo para embelezar uma sátira sombria sobre corrupção e violento egotismo no coração da indústria do rock,

Desde então, a sombra de Hitchcock se lançou ainda mais sobre o estilo visual ornamental de De Palma. Trágica Obsessão/Obsession foi um lento romance inspirado por Um Corpo que Cai/Vertigo, envolvendo necrofilia e incesto. Carrie, a Estranha/Carrie>2, evocava culpa e repressão enquanto cartografava o efeito traumático da puberdade em uma tímida escolar com poderes telepáticos; A Fúria/Fury foi mais uma incursão na psicologia paranormal, arruinada pela incoerência e pelos arbitrários efeitos em câmera lenta.Agora, o excesso visual sugere o triunfo vazio do estilo sobre o conteúdo, servindo para acentuar a inclinação voyeurística, frequentemente misógina da marca peculiar de suspense de De Palma descrição oblíqua da violência contra mulheres, emoldurada por banais tributos ao assassinato no chuveiro de Psicose, desagradou muitos, enquanto Um Tiro na Noite/Blow Out plagiou descaradamente tanto Blow-Up de Antonioni quanto A Conversação de Coppola ao entregar mais do mesmo. Scarface>3, roteirizado por Oliver Stone, foi uma mudança de gênero, exaltando cena após cena o clássico de Hawks enquanto atualizava a saga da ascensão e queda do gangster para uma Miami moderna e infestada de drogas, porém, como sempre, o foco foi na decadência, profanação e violência - de forma memorável um repugnante massacre.- mas que na psicologia ou razões sociais para o comportamento psicopata do bandido.

Dublê de Corpo/Body Double, tão grosseiro e implausível em sua mescla de Janela Indiscreta e Um Corpo que Cai, funcionou melhor como involuntária comédia de humor negro, mas Os Intocáveis/The Untouchables>4, foi um  revigorantemente inocente retorno a batalha de Eliott Ness contra Al Capone. Como uma história infantil escrita com sangue, seu desdém pelos fatos históricos e seu heroísmo simplista, assim como sua vacuidade intelectual e emocional. Porém as interpretações autênticas e um tiroteio final em câmera lenta emprestado da sequencia da Escadaria de Odessa de O Encouraçado Potemkin, de Eisenstein proporcionaram a ele uma certa ingenuidade quase mítica.

Tão preocupado é De Palma com os truques visuais e homenagens redundantes que seus filmes são fatalmente destituídos de personagens críveis e suspense real. A frieza calculada cheira a oportunismo cínico que observa tanto sua obra quanto o público com desprezo: uma prova certeira que uma acentuação extravagante e elegante no estilo pelo estilo não é um substituto para a inteligência e a integridade emocional.

Cronologia
O interesse de De Palma por Godard tornou-se uma obsessão com Hitchcock, sua própria cultura cinéfila e estilo visual espalhafatoso tem sido influente numa série de  de diretores de horror menores a busca de falsa respeitabilidade por sua obra, de outra forma, com frequência amplamente desacreditada.

Leitura Futura
The Movie Brats (Nova York, 1979), de Lynda Myles e Michael Pye.

Destaques
1. O Fantasma do Paraíso, EUA, 1974 c/William Finley, Paul Williams, Jessica Harper

2. Carrie, a Estranha, EUA, 1976 c/Sissy Spacek, Piper Laurie, William Katt

3. Scarface, EUA, 1983 c/Al Pacino, Steven Bauer, Michelle Pfeiffer

4. Os Intocáveis, EUA, 1987 c/Kevin Costner, Sean Connery, Robert De Niro

Texto: Andrew, Geoff. The Film Handbook. Londres: Longman, 1989, pp. 78-9.

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