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sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Filme do Dia: A Onda (2008), Dennis Gansel





A Onda (Die Welle, Alemanha, 2008). Direção: Dennis Gansel. Rot. Adaptado: Dennis Gansel & Peter Thorwhart, baseado no romance de Todd Strasser. Fotografia: Torsten Breuer. Música: Heiko Maile. Montagem: Ueli Christen. Dir. de arte:  Knut Loewe & Petra Ringleb. Cenografia: Tilman Lasch. Figurinos: Ivana Milos. Com: Jürgen Vogel, Frederick Lau, Max Riemelt, Jennifer Ulrich, Christiane Paul, Jacob Matschenz, Cristina do Rego, Elias M’Barek.
Professor de escola secundária (Vogel) cria um experimento que o torna lider de um grupo de colegiais que se vestem de branco, acham-se superiores e criam intensos laços de fraternidade que exclui todos os que nao fazem parte do grupo. Rainer, o professor, percebe que perdeu o controle da situação quando vê estampado em um jornal a foto de uma pichação gigante efetuada no alto de uma construção com o símbolo do movimento e vê sua esposa Anke (Lau) o abandonar quando essa ouve dele que ela, também professora na mesma escola, encontra-se enciumada com sua popularidade. E também conflitos internos a seu grupo de alunos e deles com o restante da sociedade e inclusive membros da própria escola, como a separação entre um casal ou o surto psicótico e o fanatismo de outro. O momento chave de toda a tensão se dá quando Rainer decide desmascarar a si próprio e ao experimento.
O filme de Gansel é prejudicado, entre muitos outros motivos, pela ausência de sutileza com que institui o fascismo em laboratório e a intensidade que esse cresce e ganha quase completa aderência do grupo em tão pouco tempo. Para não falar da postura ambígua de seu protagonista, por vezes apresentado como renitente e irresponsável líder populista e noutros momentos como líder de uma experiência que brutaliza as pessoas, ao qual rapidamente volta a tomar consciência quando observa os resultados desastrosos, que acabarão inclusive custando vidas. É um retrato muito raso, quase colegial e por demais didático para soar interessante, ao apresentar todo o experimento como uma resposta a afirmação inicial de um aluno de que nos dias atuais não seria mais possível ocorrer toda a barbaridade perpetrada pelos nazistas, ao contrário de reflexões sobre o fascismo e sua relação com o homem comum efetuadas mais ou menos recentemente pelo cinema francês (Seul Contre Tous) e inglês (Violento e Profano, This is England). Ao contrário desses, igualmente, sobretudo o primeiro, aqui ainda se atura uma falta de qualquer talento estilístico que o auxilie na empreitada de contar sua história ou mesmo chame a atenção por si próprio. O elenco tampouco serve de grande consolo. E, para completar, as referências ocasionais a personalidades do mundo da política e da vida mundana como Bush e Paris Hilton, antecipam ainda mais o seu caráter precocemente datado.  Rat Pack Film/Constantin Film Produktion para Constantin Film. 107 minutos.

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