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domingo, 27 de setembro de 2015

Filme do Dia: Deixe a Luz Acesa (2012), Ira Sachs

Deixe a Luz Acesa (Keep the Lights On, EUA, 2012). Direção: Ira Sachs. Rot. Original: Ira Sachs & Mauricio Zacharias. Fotografia: Thimios Bakatakis. Música: Arthur Russell. Montagem: Affonso Gonçalves. Dir. de arte: Amy Williams & Laura Miller. Cenografia: Amilia Tybinka. Figurinos: Liz Vastola. Com: Thure Lindhardt, Zachary Booth, Marilyn Neimark, Paprika Steen, Sebastian La Cause, Julianne Nicholson, Sarah Hess, Roberta Kirschbaum.
Já na faixa dos 40 anos, o documentarista Erik Rothman (Lindhardt) envolve-se com o gay não assumido Paul (Booth), que possui então uma namorada. Os dois  vivenciam uma relação intensa e vão morar juntos. No entanto, Paul passa a se tornar cada vez mais ausente. Erik descobre que ele se encontra viciado em crack. Erik tenta acompanha-lo mas Paul afunda cada vez mais nas drogas. Anos depois, eles tentam retomar a relação, mas Paul deixa claro que não quer mais fazer sexo com Erik. Erik aceita inicialmente, mas aos poucos sua ansiedade e frustração começam a ficar evidentes. Paul decide que é o momento de darem um basta em seu relacionamento.
Mesmo trabalhando contra as expectativas mais óbvias que a primeira metade do filme apontava, qual seja, as de Paul se recuperar do uso de drogas, motivado por sua insegurança sexual, e o casal retomar seu idílico momento inicial, o filme prefere apostar na constante tensão de uma relação em que não há espaço para muito além do desassossego. E, talvez como sua maior virtude, demonstra certa maturidade e afastamento do padrão moral médio ao apontar para um desassossego maior por parte de Erik do que de Paul, enquanto ex-viciado e com relação aparentemente mais problemática com o sexo. Dito isso, não existe maiores virtudes nessa produção, além de uma segurança visual com relação aos enquadramentos, que fogem do que poderia haver de mais óbvio no recorte que faz de Nova York e o tom relativamente distanciado com que observa os baixos na relação do casal. E assim consegue fugir das armadilhas de uma elaboração no estilo positivo do politicamente correto, coroado por um catártico final feliz, assim como da aposta no extremo oposto, centrando-se no voyeurismo sensacionalista em torno dos excessos vinculados a drogas e sexo. Talvez algo se dê a mão do co-roteirista, o mesmo de Madame Satã. Alarum Pictures/Parts and Labor/Tiny Dancer Films para Music Box Films. 101 minutos.


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