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sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Filme do Dia: Caravaggio (1986), Derek Jarman


Caravaggio (Reino Unido, 1986). Direção: Derek Jarman. Rot.Original: Derek Jarman & Suso Cecchi D’Amico, a partir do argumento de Nicholas Ward Jackson. Fotografia: Gabriel Beristain. Música: Simon Fisher-Turner. Montagem: George Akers. Dir. de arte: Christopher Hobbs & Michael Buchanan. Figurinos: Sandy Powell. Com: Nigel Terry, Sean Bean,  Tilda Swinton, Nigel Davenport, Jack Birkett, Dexter Fletcher, Noan Almaz, Michael Gough, Robbie Coltrane.
        Caravaggio (Terry) é um pintor que desde jovem (Almaz), torna-se o preferido do Cardeal, que se torna seu mecenas. Caravaggio se apaixona por um de seus modelos, Ranuccio (Bean), sendo que também se envolve com sua então companheira, Lena (Swinton), que  passa a ser objeto de seus quadros. Lena é misteriosamente assassinada, após ter abandonado Ranuccio por um homem de posses, Scipione Borghese (Coltrane). E, ainda morta, ela continua a ser sua modelo. Ranuccio, mesmo se dizendo inocente e o culpado Borghese, são presos. Somente é solto após Caravaggio concordar em pintar mais uma obra para o Cardeal. Quando solto, ele admite que matara Lena e é morto pelo próprio Caravaggio.
      Construído a partir do que seriam as evocações de Caravaggio em seu leito de morte, o filme demonstra, infelizmente, que boa parte da filmografia de Jarman resistiu mal a passagem do tempo, algo que não ocorreu ao menos pretensioso e mais clássico realizador britânico Terence Davies. Da fraca direção de atores a sua elaboração de uma ironia iconoclástica e algo blasée do mundo descrito passando pelos anacronismos habituais (que se tornariam excessivos, posteriormente, em filmes como Eduardo II e que já se encontravam presentes na obra de um realizador como Cocteau décadas antes). De toda forma, isso dito, deve-se levar em conta que o filme, com a sua pobreza de recursos materiais e ascese em termos de cenografia e reconstituição de época, assim como as próprias composições em tableaux que representam os futuros quadros do artista torna-se, ainda assim, uma de suas obras dignas de interesse. BFI. 93 minutos.

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