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quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Filme do Dia: Amores Clandestinos (1959), Delmer Daves

Amores Clandestinos (A Summer Place, EUA, 1959). Direção: Delmer Daves.  Rot. Adaptado: Delmer Daves, baseado no romance de Sloan Wilson. Fotografia: Harry Stradling Sr. Música: Max Steiner. Montagem: Owen Marks. Dir. de arte: Leo K. Kuter. Cenografia: William L. Kuehl. Figurinos: Howard Shoup. Com: Richard Egan, Dorothy McGuire, Sandra Dee, Arthur Kennedy, Troy Donahue, Constance Ford, Beulah Bondi, Jack Richardson.
Sylvia Hunter (McGuire) vive um casamento de aparências, com o decadente marido alcoólatra Bart (Kennedy), tomando conta de uma pousada da família do marido, em Pine Island, juntamente com o filho adolescente, Johnny (Donahue). A situação familiar se transforma com a chegada do ex-jardineiro da família, Ken Jorgenson (Egan), hoje milionário, sua esposa Helen (Ford) e sua filha adolescente Molly (Dee). Ken também vive um casamento de aparência com uma esposa que possui fobia de sexo e procura reprimir a filha a todo custo.  Sylvia reata sua paixão anterior ao casamento por Ken, enquanto Johnny se apaixona por Molly. Helen torna a situação pública. Um grande escândalo ganha as páginas dos jornais. Ken se divorcia e casa-se com Sylvia. A relação entre Johnny e Molly é clandestina devido ao fato de se tornarem famosos e Helen querer afastar a filha a qualquer custo do jovem. Eles se reencontram na moradia onde vivem atualmente seus pais. Após se descobrir grávida, Molly parte com Johnny para buscar apoio junto ao pai, em Pine Island. Esse, que está indo se tratar de uma úlcera, não aprova o casamento, mas tampouco é reticente em sua desaprovação. Após fugirem sem rumo, Molly e Johnny voltam a casa dos pais e são recebidos de braços abertos por eles.
Esse melodrama, típico produto de uma época voltada para a temática da cada vez mais aberta sexualidade entre jovens, consegue ser mais interessante em seu início, quando se dispõe a trabalhar as tensões sexuais e afetivas dos dois grupos familiares (sendo um jantar entre as famílias evocativo de situações semelhantes que seriam trabalhadas posteriormente de modo ainda mais aberto e cínico por filmes como Quem Tem Medo de V. Woolf?) que no seu arrastado final que acompanha o drama do casal jovem. Ainda que bastante esquemático em seu maniqueísmo, sobretudo na construção da personagem da frígida e mesmo masculinizada Helen, o filme também dá abertura para uma evidente tensão  por parte do casal mais velho entre a repressão que poderia conduzir a que Molly se tornasse tão castrada quanto a própria mãe ou a liberação completa da relação dos jovens e o risco da gravidez, o que vem a acontecer. Mesmo trabalhando com alguns temas comuns ao universo de Sirk (inclusive escalando no elenco os mesmos astros adolescentes Dee e Donahue, também intérpretes de Imitação da Vida), o filme não possui a mesma força seja na mise en scene ou – e ainda mais importante – consegue transcender seu próprio universo dramático para se tornar uma reflexão sobre a sociedade americana de modo mais amplo. Ainda que tente, aqui as referências cenográficas se tornam por demais óbvias. Como é o caso da árvore de natal, pretensão do desejo obsessivo de Helen por uma razão desapaixonada e morta – que ela afirma que irá durar uns 10 anos por ser de plástico, mas que cai juntamente com a filha numa discussão entre ambas pouco depois. Um dos temas básicos do melodrama, o da contraposição entre amor e paixão, é aqui encampado nas falas do casal mais velho. A paixão dos mais jovens somente se torna aceita, portanto, porque ela acena para um amor futuro que a transcende. Evidente se torna o quão incestuosa é a relação dos filhos com seus próprios pais, ao desejar o casal mais jovem se unir justamente com filhos de seus próprios pais, algo que não chega em nenhum momento a ser considerado como problema, para não falar na decisão de morarem na mesma ilha em que os pais se apaixonaram. Destaque para a trilha sonora de Steiner. Warner Bros. 130 minutos.


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