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sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Filme do Dia: Umberto D. (1952), Vittorio De Sica


Umberto D. (Itália, 1952). Direção: Vittorio De Sica. Rot. Original: Cesare Zavattini. Fotografia: G. R. Aldo. Música: Alessandro Cicognini. Montagem: Eraldo Da Roma. Dir. de arte: Virgilio Marchi. Cenografia: Ferdinando Ruffo. Com: Carlo Battisti, Maria Pia Casilio, Lina Gennari, Ileana Simova, Elena Rea, Memmo Carotenuto, Alberto Albani Barbieri, De Silva.
Umberto Domenico (Battisti) é um aposentado que com o baixo valor pago de aposentadoria não consegue se manter a contento na pensão de Antonia Belloni (Gennari), que mesmo com todas as suas pretensões de dama da sociedade, aluga quartos – inclusive o do próprio Umberto – para encontros furtivos. A única aliada de Umberto em um mundo cada vez mais hostil é a jovem empregada Maria (Casilio), grávida de um namorado militar, que não pretende assumir a paternidade. Assim como seu fiel cão. Sentindo-se mal de saúde com angina, Umberto força um internamento e quando retorna a pousada, descobre que seu quarto está em reformas e que o cão desapareceu. Desesperado ele busca o cachorro e finalmente o encontra no serviço público, após muita apreensão. Ele decide partir da pousada e tenta várias vezes abandonar o cão e mesmo jogá-lo contra o trem, mas permanece junto a ele.
Esse que provavelmente é o último projeto de De Sica que pode ser vinculado ao Neo-Realismo, curiosamente logo após sua primeira incursão em uma narrativa abertamente fantasiosa que havia sido Milagre em Milão (1951). Aqui, De Sica vai mais longe que em qualquer outro de seus filmes em sua aproximação de um cinema moderno. O minimalismo da história, seu relativo distanciamento emocional e até mesmo um final em aberto que não apresenta nenhuma solução, catarse que redimensiona a relação entre os personagens e a forma como observam o mundo(como havia sido o caso de Ladrões de Bicicleta) se encontram abertamente postos. Porém, mesmo o filme sendo o que mais se aproxima da reinvindicação de Zavattini por uma história onde rigorosamente nada de absolutamente especial ocorresse, acaba igualmente demonstrando ser um filme que bebe na fonte do melodrama com bastante intensidade, seja na trilha sonora que o acompanha do início ao final, seja em momentos de aberta sentimentalidade, como o que o cão retorna ao dono, quando esse procura despista-lo. O egoísmo humano, a hipocrisia associada à religião para conseguir as benesses dos serviços assistenciais e um tema de evidente relevância social – aqui a velhice abandonada -  como a infância abandonada o fora certa vez (em Vítimas da Tormenta) voltam a se fazer presente. De uma forma que remonta um certo populismo na contraposição entre a antipatia da dona da pousada e seus convidados pedantes e a simplicidade de espírito de seu protagonista, evocando semelhante contraposição entre o garoto rico e o filho do protagonista de Ladrões de Bicicleta no restaurante. Assim, como no plano da produção, a presença marcante de atores não profissionais – esse seria o único filme de Battisti, que era um professor e ainda viveria bastante tempo após o filme e transformaria a então amadora Maria Pia Casilio em atriz – e as filmagens em locação. Dedicado ao pai do próprio de De Sica, o filme seria mal recebido pela crítica, por motivos diversos,  tanto na Itália quanto na França, selando o redirecionamento da carreira do realizador. Foram utilizados dois cães, um deles presente somente em duas cenas. Rizzoli Film/Produzione Films Vittorio De Sica/Amato Film para Dear Film. 89 minutos.


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