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segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Filme do Dia: On the Bowery (1956), Lionel Rogosin


On the Bowery (EUA, 1956). Direção: Lionel Rogosin. Rot. Original: Richard Bagley, Lionel Rogosin & Mark Sufrin. Música:  Charles Mills. Montagem: Carl Lerner.

Essa ficção próxima do documentário encenado de Rogosin e também seu primeiro filme é impressionante pela força que capta seus personagens, vivendo no submundo dos biscates e do álcool numa região tradicionalmente decadente de Nova York, assim como – e talvez sobretudo – pela dimensão visual que empresta ao seu ambiente, magistralmente enquadrado, iluminado e fotografado por alguém que parece ter uma familiaridade grande com a estética da fotografia fixa. O filme acompanha alguns desses “personagens”, sobretudo o recém-chegado Ray Sayler, que perde sua mala para um dos homens que manteve certa proximidade e o havia auxiliado, Gorman Hendricks. O filme acompanha momentos de Ray em bares, seja conversando e escutando casos atentamente, seja simplesmente saindo de si e sendo agressivo para os que se encontram próximos. O fino enquadramento com que tudo é captado desconstrói certa percepção da vida flagrada em processo recorrente no vindouro cinema direto, aproximando-se mais talvez dos parâmetros da etno-ficcão rouchiana, ainda que aqui inexista qualquer intervenção mais direta do realizador que não se restrinja ao estilo – nada como uma narração, comentário, discussão com o mesmo. Talvez seu estilo tenha dialogado (ainda que potencialmente, dado o desconhecimento se em alguns casos tal obra foi conhecida) menos com o próprio documentário, ainda que indicado para o Oscar da categoria,  que com a ficção emergente que dialoga com o documentário tal como Cassavetes, reconhecido admirador de Rogosin ou os realizadores da Nouvelle Vague. O filme constrói, sem ironia ou sentimentalidade, uma representação da relação entre esses homens à margem de muito do que é considerado básico, em termos sociais, como moradia ou relações familiares e de amizade sólidas. Algo que fica patente, sobretudo, ao final, quando Gorman ajuda Ray com dinheiro para que ele consiga abandonar o local, porém o faz a partir da venda do próprio relógio de Ray que havia se apropriado. Em um mundo marcadamente masculino, as mulheres não apenas tem pouco espaço como ainda são vítimas de certa misoginia, tal como quando Ray destrata uma mulher que acabara de conhecer em um bar, ao saírem para o que poderia apontar ser um encontro de cunho sexual. O filme é dedicado a Gorman Hendricks, morto pouco após sua finalização. Rogosin Films para Film Representations. National Film Registry em 2008. 65 minutos.

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