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segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Filme do Dia: É na Terra, Não é na Lua (2011), Gonçalo Tocha

É na terra não é na Lua

É na Terra, Não é na Lua (Portugal, 2011). Direção: Gonçalo Tocha. Montagem: Rui Ribeiro, Gonçalo Tocha & Catherine Villeret.
Esse documentário passeia pela paisagem geográfica, histórica e afetiva da Ilha do Corvo, último ou primeiro – a depender da perspectiva – ponto de terra da Europa, habitado então por pouco mais de 400 pessoas. Didivido em capítulos, ainda que não se saiba exatamente quais os critérios que evidenciariam tal divisão, a determinado momento parece ser a investigação mais detida sobre algum personagem, noutro momento situações que não apresentam nenhum diálogo. Talvez a maior força do filme, para além evidentemente de sua imersão na multifacetada presença das mais diversas manifestações do humano, como que em um micro-cosmo do planeta, seja a engenhosa combinação continuada da sobreposição de depoimentos e comentários sobre as imagens das próprias belezas naturais da ilha ou de alguns aspectos mais específicos relacionados com a trajetória de seus habitantes, alguns deles provenientes de outros países. Da curiosa câmera postada tal como o público inexistente para o discurso de uma ilhéu que se pretende lançar na carreira política ao homem que pretende partir para Angola e que na ilha se enlouquece se não se tiver uma mulher, passando pela senhora que faz uma toca de lã no estilo de seus antepassados para o realizador, e que acaba servindo como mais forte marcador para o avanço da narrativa, o filme avança numa aparente continuidade temporal, permitindo-se a pequenas digressões temporais e de imagens da época apenas quando adentra nos territórios da memória. Pode-se afirmar que se filia a uma tradição de documentarismo poético sobre comunidades no estilo de Pierre Perrault, ainda que mais disperso e redundante, sendo talvez justamente uma certa condescendência excessiva em sua própria metragem, motivo para um progressivo enfraquecimento de sua potência, ainda quando sintomaticamente ilustrativo do próprio ritmo diferenciado da comunidade. Gonçalo Tocha para Alambique Destilaria de Ideias. 180 minutos.

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