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sábado, 29 de agosto de 2015

Filme do Dia: Leviathan (2012), Lucien Castaing-Taylor & Verena Paravel


Leviathan (França/Reino Unido/EUA, 2012). Direção, Rot. Original, Fotografia e Montagem: Lucien Castaing-Taylor & Verena Paravel.

Notável, na maneira como apresenta de uma forma original, e muitas vezes longe de seguir os padrões estabelecidos da imagem cinematográfica, centrada na dimensão humana sobretudo para se relacionar com o que filma. Sob certo aspecto, portanto, pode se enquadrar na algo genérica definição de uma tentativa de um  olhar para o mundo virgem e não viciado que menciona Stan Brakhage em seu célebre manifesto. Não por acaso, sobretudo inicialmente, as imagens parecem ser verdadeiras abstrações, até que se tenha uma compreensão mínima do que de fato signifiquem. Curiosamente, tudo é apresentado com tecnologia de ponta – como a compacta câmera que se mescla aos peixes que deslizam pelo depósito do barco – habitualmente utilizada para produções documentais mais convencionais sobre o “tema”. Esse, se assim se pode dizer, é o da pesca predatória em alto mar. Porém, se a forma maquínica com que os peixes são cortados e jogados, assim como puxados aos milhares pelas redes de arrasto, sugerem um modo de produção industrial demasiado longínquo de uma épica que remeta as provações de personagens clássicos da literatura como os de Moby Dick, de Melville ou O Velho e o Mar, de Hemingay, as cartelas iniciais que fazem referências aos versículos bíblicos vão em sentido oposto, do Leviatã, monstro marinho mitológico. As imagens norturnas e as formas de captação de imagem descentradas da figura humana humana e apresentadas de forma vertiginosa e segmentada, não ordenada em seu próprio processo, acabam ganhando uma dimensão de um quase terror. Existe certamente uma evidente sinalização para um quase holocausto das espécies marinhas que se testemunha. Mas o filme não envereda pelo panfletário e sim pelo mito-poético, abdicando de diálogos – os poucos que escutamos, de membros da tripulação do barco, sequer possuem qualquer peso dramático – e investindo sobretudo na potencialização de sua banda sonora, em grande parte responsável pelo penetrante efeito. As imagens dos passáros brancos sobre a escuridão da noite se encontram dentre as mais curiosas e distantes de uma representação convencional. Com a sua duração, mesmo não tão prolongada, talvez parte desses efeitos se dilua e possa igualmente se tornar um convite a dispersão ou sono para o espectador menos alerta ou cansado. Destaque para o longo plano em que um dos marinheiros observa a imagem da TV, que praticamente coincide com o eixo no qual se encontra a própria câmera, e por fim cochila. Tem-se a impressão que se trata de uma seleção diante de uma imensidão de material bruto e que, em algumas opções, a própria câmera parece igualmente destituída de manipulação humana na escolha dos motivos que pretende filmar. Jogada igualmente no fluxo do indeterminado, da relação entre vida e morte, céu e oceano, que se confundem em questões de segundos. Arrete Ton Cinema/Arrête Ton Cinema para The Cinema Guild. 87 minutos.

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