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domingo, 2 de agosto de 2015

Filme do Dia: Christophe Colomb (1904), Vincent Lorant-Heilbronn



Christoph Colomb (França, 1904). Direção: Vincent Lorant-Heilbronn. Rot. Original: Lucien Nonguet.
Embora a extensão do que para a época tinha ares de super-produção possa igualmente sugerir o desenvolvimento precoce rumo a duração de filme de alguns anos após, marcada sobretudo pela produção de Griffith para a Biograph, não se trata exatamente do caso. Como em A  Vida e Paixão de Jesus Cristo, trata-se de cenas relativamente isoladas que irão representar a travessia de Colombo e suas principais peripécias, que podiam ser exibidas de forma independente. Como nos filmes de Méliès de pouco antes (a exemplo do célebre Viagem à Lua), as cenas se prolongam muito mais do que seria o habitual nos filmes de orientação mais precisa para a narrativa, ainda quando comparados aos “filmes de perseguição”, modelo que se situa entre este Primeiro Cinema e um cinema de maior organicidade narrativa. É o caso, por exemplo, de Colombo sendo recebido tal qual uma estrela de cinema pelos indianos e acenando efusivamente para os mesmos. No segmento das danças indianas – ou seria melhor dizer indígenas, já que as indianas surgem mais próximas da caracterização das indígenas da América – tanto se explora uma sexualidade coberta devidamente por malhas ao evocar a nudez quanto o poder incomensurável de Colombo sobre as culturas em questão, já que é a partir de indicações dele que é iniciada a dança. Seus vestiários e adereços servem como pretexto para a colorização, da qual ainda se tem uma pálida ideia a partir do material sobrevivente. Na “chegada triunfal a Barcelona” e seu posterior recebimento pela corte, Lorant-Heilbronn demonstra um senso mais disciplinado de postagem dos atores em cena que Méliès. As cartelas antecipam boa parte do que acontecerá nas cenas. É curioso observar Colombo em desgraça na prisão literalmente observando em um balão de imagem suas glórias passadas e as vendo literalmente sumir, o que lhe provoca uma reação semelhante a da garota protagonista de  The Little Match Seller (1902), de Williamson, assim como uma última cena, completamente desvinculada das anteriores, que apresenta uma homenagem ao navegador, onde fica diluído o período histórico na qual se dá a mesma, guiada por um senso de tributo-reparação à figura de Colombo.  Pathé Frères. 12 minutos e 43 segundos.


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