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terça-feira, 16 de junho de 2015

Filme do Dia: O Bebê de Rosemary (1968), Roman Polanski

O Bebê de Rosemary (Rosemary´s Baby, EUA, 1968). Direção: Roman Polanski. Rot. Adaptado: Roman Polanski baseado no romance de Ira Levin. Fotografia: William A. Fraker. Música: Cristopher Komeda. Montagem: Sam O´Steen & Bob Wyman. Dir. de arte: Richard Sylbert. Cenografia: Robert Nelson. Figurinos: Anthea Sylbert. Com: Mia Farrow, John Cassavetes, Ruth Gordon, Sidney Blackmer, Maurice Evans, Ralph Bellamy, Victoria Vetri, Patsy Kelly, Elisha Cook Jr.
O casal recém-casado Rosemary (Farrow) e Guy (Cassavetes) decide alugar um apartamento em Nova York. O amigo do casal Edward Hutchins (Evans), alerta para a má fama do edifício, que Rosemary não acredita. Aos poucos, uma série de eventos estranhos passam a acontecer ao redor deles como o suicídio de Terry Gionofrio (Vetri), que se tornara próxima de Rosemary e era afilhada do casal de velhos Minnie (Gordon) e Roman Castevet (Blackmer) e um dos atores que havia sido selecionado para atuar no lugar de Guy perde a visão, fazendo com que ele consiga o papel. Rosemary, certa noite acredita ter sido estuprada por uma figura demoníaca. Grávida passa a desconfiar que se vê ameaçada por uma seita de bruxos liderados pelo casal de velhos. Hutchins morre e Guy joga fora o livro que ele lhe deixara com indicações sobre magia negra. Quando seu filho nasce, é retirado dos seus braços e dado como morto. Porém, ela o descobre como centro de um ritual satânico no apartamento dos Castevets.
Esse que é o segundo filme da “trilogia do confinamento”, precedido por Repulsa ao Sexo (1965) e seguido por O Inquilino (1976), transformou-se num marco do cinema de horror “moderno” ao abdicar do cenário gótico de histórias transcorridas no passado como habitual no gênero, seja nas produções da Universal, Hammer ou de Roger Corman por uma história narrada em plena Nova York contemporânea à produção do filme. Fundamental para seu sucesso foi o recurso de toda a narrativa ser desenvolvida a partir do ponto de vista de Rosemary, tendendo a acentuar uma ambigüidade sobre o que é descrito que pode tanto ter ocorrido como ser mera alucinação paranoica de uma mente psicótica e as boas interpretações do elenco, além da própria escolha do célebre Edifício Dakota (no filme Bramford) como cenário onde transcorrem as ações. E sua recusa em apelar para efeitos especiais ou de maquiagem rocambolescos, preferindo investir no suspense, acentuado pelo fluente trabalho de câmera. Primeira adaptação e filme americano de Polanski, que ainda incorpora o trabalho de alguns profissionais de sua fase mais autoral, como o músico Komeda, que morreria no ano seguinte. Sharon Tate aparece numa ponta na festa que Rosemary oferece a seus amigos. A douradora influência dessa produção é percebida na quantidade de filmes que a ela fizeram referência e que chegaram a formar um subgênero. Entre outras se encontram A Sereia do Mississipi (1969), de Truffaut, Imagens (1972), de Altman, Don´t Look Now (1973), de Roeg, O Exorcista (1973), de Friedkin, Nashville (1975), de Altman, No Mundo de 2020 (1976), de Donner, A Sentinela dos Malditos (1977), de Michael Winner, O Iluminado (1980), de Kubrick, O Jogador (1992), de Altman, Violência Gratuita (1997), de Haneke, O Advogado do Diabo (1997), de Taylor Hackford, Tudo sobre Minha Mãe (1997), de Almodóvar, De Olhos Bem Fechados (1999), Quero ser John Malkovich (1999), de Spike Jonze, Cidade dos Sonhos (2001), de Lynch e Dogville (2003), de Von Trier.  National Film Registry em 2014. William Castle Productions. 136 minutos.


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