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quarta-feira, 3 de junho de 2015

Filme do Dia: A Menina Santa (2004), Lucrecia Martel

A Menina Santa (La Niña Santa, Argentina/Itália/Holanda/Espanha, 2004). Direção: Lucrecia Martel. Rot. Original: Lucrecia Martel & Juan Pablo Domenech. Fotografia: Félix Monti. Música: Andrés Gerzenson. Montagem: Santiago Ricci. Dir. de arte: Coca & Ocielo Oderigo. Figurinos: Julio Suárez. Com: Mercedes Morán, Carlos Belloso, Alejandro Urdapilleta, María Alche, Juliete Zybelberg, Mía Maestro, Marta Lubos, Arturo Goetz.
Amalia (Alche) é uma adolescente que possui aulas de formação religiosa e acredita que possui como missão divina fazer sexo com o famoso médico, Dr. Jano (Belloso), que a bolinara casualmente na rua e que foi amigo de juventude de sua mãe, Helena (Morán). Helena volta a se sentir atraída por ele. Ao mesmo tempo, não oferece resistência às carícias da amiga mais íntima, Josefina (Zybelberg). Jano faz parte de um congresso de medicina em Salta, hospedando-se no hotel cuja proprietária é mãe de Helena, que foi alvo de acusações de assédio sexual por parte de um dos médicos, Dr. Vesalio (Goetz). Porém, um segundo escândalo ameaça o congresso. Flagrada na cama em situação embaraçosa, Josefina afirma que Amalia foi violentada por Jano.
A mesma sutileza narrativa presente em O Pântano, filme de estréia da cineasta, em que menos importa os eventos por si próprios, porém a forma como são apresentados. Martel trabalha mais com a idéia da evocação de uma atmosfera, aqui voltada para a percepção do imaginário adolescente em que sexo, religião, desejo e culpa se mesclam. Porém, não consegue atingir a mesma estranheza de seu filme anterior, mesmo se utilizando do mesmo exercício narrativo que, além das lacunas, pouco apresenta da subjetividade dos personagens.Chega a apelar para um certo grotesco – a queda de um homem nu ao lado da residência de uma das personagens, não sendo tão interessante quanto a queda da criança no filme anterior, que possuía toda uma motivação diegética, aqui soando como puro efeito provocador de estranhamento. Tampouco sugere qualquer metáfora com a própria Argentina, suas divisões internas e peculiaridades, um dos pontos fortes do filme anterior. Martel corre o risco de se tornar uma virtuose do estilo por si mesmo, acompanhado de um crescente vácuo de conteúdo que transcenda o meramente narrativo. La Passionaria/R&C Produzioni/Teodora Film/El Deseo S.A/Fondazione Montecinemaverita/Hubert Bals Fund/Lita Stantic Producciones. 106 minutos.


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