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domingo, 14 de junho de 2015

Filme do Dia: Assim Era a Atlântida (1974), Carlos Manga



Assim Era a Atlântida (Brasil, 1974). Direção: Carlos Manga. Rot. Original: Carlos Manga & Sílvio de Abreu. Fotografia: Antônio Gonçalves. Música: Lírio Panicalli & Leo Perachi. Montagem: Waldemar Noya.
Intercalando cenas de 17 filmes realizados pelos Estúdios Atlântida entre 1942 e 1962 com depoimentos contemporâneos de alguns de seus maiores astros (Grande Othelo, Fada Santoro, Anselmo Duarte, Norma Bengell, José Lewgoy, Eliane Macedo, etc.), o filme se institui no gênero do documentário de compilação sobre uma determinada produção cinematográfica. Por volta da mesma época na qual a MGM havia lançado seu Era uma Vez em Hollywood, Manga (o mais notável realizador do estúdio) dirige esse tributo igualmente nostálgico, mesmo que curiosamente os valores de produção associados com a produtora americana fossem da concorrente da Atlântida, a Vera Cruz. Obviamente não se trata de efetivar uma leitura crítica da produção do período e sua ressonância inegável na produção brasileira posterior como tampouco de problematizar a relação do estúdio com a produção americana, motivo de uma paródia tanto irreverente quanto prenhe de complexo de inferioridade com relação aos seus modelos. A relação problemática com a crítica, mesmo depois de tantos anos, ainda se faz presente nos depoimentos de vários artistas e Norma Bengell dá o tom (por sinal buscado, sem maiores efeitos, ser reproduzido no próprio documentário) ao falar que o melhor da produção do estúdio “era não complicar nada, pois a vida já é complicada demais”. Curiosa, e particularmente no que diz respeito ao caso dos números musicais, a progressiva estetização é acompanhada por um estilo visual que se afasta cada vez mais do teatro de revista brasileiro (como nas anárquicas e mais ingênuas comédias de Watson Macedo) dando menos espaço ao gênero e quando ocorrem canções, como no caso de Duas Histórias (1960), de Manga, sua composição visual e dramática já se aproxima mais das produções americanas. Aliás, Manga poderia ter tido o mesmo espírito intérprido de parodiar o modelo americano, em vez de apenas imitá-lo fielmente como é o caso no documentário em questão. Uma produção do gênero que trata de seu material de forma não meramente nostálgica e institucional mais igualmente paródica, é Assim Dançou o Comunismo, que aborda a produção dos musicais do Leste Europeu que pretendiam fazer frente aos da MGM. Atlântida Cinematográfica/Carlos Manga Prod. Cinematográficas. 105 minutos.

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