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terça-feira, 2 de junho de 2015

Filme do Dia: O Beijo (1965), Flávio Tambellini

O Beijo (Brasil, 1965). Direção: Flávio Tambellini. Rot. Adaptado: Glauco Couto, baseado na peça de Nélson Rodrigues. Fotografia: Alberto Attili & Amleto Daissé. Montagem: Luiz Elias & André Paluch. Dir. de arte: João Maria dos Santos. Com: Reginaldo Farias, Jorge Dória, Liana Duval, Jorge Cherques, Norma Blum, Xandó Batista, Fregolente, Raul da Mata, Betty Faria.
Armandir (Farias) é o respeitável e carinhoso esposo de Selminha (Duval), que leva uma vida tranqüila até resolver beijar um homem agonizante na rua, sendo observado por seu genro Aprígio (Cherques). O drama de familiar se torna público quando o inescrupuloso jornalista Amado (Dória), se alicia a um delegado de polícia (Fregolente), para afirmar que não apenas Armandir era amante da vítima, como não se tratara de um acidente, mas de homicídio. Acuado por tudo e todos, Armandir foge de casa e recebe a visita da irmã da esposa, Dália (Blum), que se encontra apaixonada por ele e lhe afirma que o pai era obcecado por ele. Logo após, Aprígio chega e assassina Armandir, recebendo a vítima o beijo de Dália.
Essa adaptação da peça de Rodrigues, que voltaria a ser levada às telas em 1980 por Bruno Barreto, possui diversas limitações, tanto narrativas quanto estilísticas. Ao se apoiar em um estilo que faz referências ao gótico (tendo sido Tambellini o roteirista do filme gótico por excelência de nossa cinematografia, Ravina, de Rubem Biáfora), não consegue ser convincente. Pior, em termos narrativos, a escolha por dar um papel de maior destaque ao jornalista, inclusive acentuando todo seu drama pessoal ligado a morte acidental do filho, ausentes da segunda versão, desloca um tanto quanto o foco do drama familiar e das relações incestuosas que são a maior força da obra em questão. Nesse sentido, talvez seja exemplar a inserção de uma longa seqüência em que Betty Faria faz sua estréia no cinema, completamente deslocada da trama em si, e não tendo outro motivo que apresentar o apelo da atriz em questão, já que o próprio personagem aparece e desaparece sem dizer a que veio. Por fim, talvez igualmente por pressão da moral da época, a atenuação da dimensão incestuosa sugerida na relação entre pai e filha e de Dália com relação ao cunhado, não sendo suficientemente enfatizada, o que tira o vigor tanto da construção dramática quanto do desenlace final, sendo que aqui o beijo entre o pai e Arandir é substituído pelo de Dália. A utilização de pinturas como as de Brueghel, interessantes ao serem utilizadas na abertura e a certo momento em que ocorre um diálogo entre os personagens, soa extremamente caricata ao retornar no encerramento do filme. Cia. Cinematográfica Serrador. 78 minutos. 



2 comentários:

  1. Nossa, nunca ouvi falar. Estou precisando estudar mais.

    Movies Eldridge
    http://movieseldridge.blogspot.com.br

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  2. Pois é! E por outro lado, quanto mais se estuda, mais se percebe que tem tanta coisa que a gente não conhece...são tantos filmes, de tantas nacionalidades, de tantos períodos distintos...

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