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sábado, 20 de junho de 2015

Filme do Dia: Dentro da Noite (1940), Raoul Walsh



Dentro da Noite (They Drive by Night, EUA, 1940). Direção: Raoul Walsh. Rot. Adaptado: Jerry Wald & Richard Macaulay, a partir do romance de A.I. Bezzerides. Fotografia: Arthur Edeson. Música: Adolph Deutsch. Montagem: Thomas Richards. Dir. de arte: John Hughes. Figurinos: Milo Anderson. Com: George Raft, Humphrey Bogart, Ida Lupino, Ann Sheridan, Gale Page, Alan Hale, Roscoe Karns, John Litel.
      Joe Fabrini (Raft), juntamente com o irmão Paul (Bogart), levam uma acidentada e explorada vida como caminhoneiros. Joe sonha com o dia em que terão seu próprio negócio. Eles acabam sendo demitidos do serviço de um patrão corrupto e recusam trabalhar para o ex-caminhoneiro e hoje bem sucedido empresário Ed Carlsen (Hale), casado com a pérfida Lana (Lupino), obcecada por Joe, para tentar o próprio negócio. Após o sucesso da primeira carga, em boa parte direcionada para pagar os débitos do caminhão, acabam sofrendo um acidente, no qual Paul perde um braço e Joe os sonhos de montar seu próprio negócio. Por influência de Lana, Ed acaba contratando Joe para o escritório. Aproveitando uma noite em que o marido chega demasiado bêbado e não consegue sequer sair do carro, Lana fecha a garagem com o motor ligado. Tida como morte acidental, ela acaba convencendo Joe a ser seu novo sócio. Joe, a muito tempo apaixonado por Cassie Hartley (Sheridan), uma garçonete de beira de estrada que pedira carona aos irmãos tempos atrás, passa a gerir os negócios, mas sempre recusando os avanços de Lana que, enfurecida, conta-lhe sobre o crime e o denuncia à polícia como cúmplice e suposto amante. No julgamento, sua notória perda de razão põe por terra suas acusações contra Joe Fabrini.
       Sua fotografia sombria e sua atmosfera algo misteriosa, assim como a figura de Raft, recorrente nos filmes de gangster de idos da década anterior, são algo evocativos dos não menos atmosféricos filmes franceses da tradição que ficou conhecida como realismo poético. Talvez o que mais chame atenção no filme seja o quão visível fica a contraposição entre a dinâmica relativamente complexa que agrega o núcleo dos personagens principais com a evidente caricatura, já posta desde o início, do casal Carlsen, ele fanfarão, idiota de bom coração e novo-rico, ela calculista, esbanjadora e sexualmente insatisfeita. E é justamente na aproximação desses dois núcleos que o filme, bem mais tardiamente que o habitual, irá definir os rumos de sua trama de forma mais convencional. Inclusive infelizmente acomodando de forma bem mais convencional os personagens de Raft e Sheridan, distintos justamente por sua relativa e mesmo que involuntária indeterminação de caráter em sua ilibada correção – o primeiro chega a cogitar fortemente abandonar a empresa e partir novamente do nada para o trabalho de caminhoneiro ao final. Antecipa involuntariamente, de forma algo excêntrica – no sentido que unilateral – a paixão feminina como fonte para a morte do marido de uma série de filmes célebres posteriores tais como Obsessão (1943), Pacto de Sangue (1944) ou Crimes d’Alma (1950). Warner Bros. 95 minutos.


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