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quinta-feira, 4 de junho de 2015

Filme do Dia: Sonhos Eróticos de uma Noite de Verão (1982), Woody Allen

Sonhos Eróticos de uma Noite de Verão (A Midsummer Night´s Sex Comedy, EUA, 1982). Direção e Rot. Original: Woody Allen. Fotografia: Gordon Willis. Montagem: Susan E. Morse. Dir. de arte: Mel Bourne. Figurinos: Santo Loquasto. Com: Woody Allen, Mia Farrow, José Ferrer, Julie Hagart, Tony Roberts, Mary Steenburgen.
         No início do século XX, Andrew Hobbes (Allen) canaliza toda sua energia para inventos excêntricos, inclusive uma máquina que pretende averiguar a existência de espíritos, já que sua vida sexual com a esposa Adrian (Steenburgen) é grandemente insatisfatória. Um final de semana com alguns convidados provoca um rebuliço na vida do casal e dos casais convidados: o médico conquistador Maxwell Jordan (Roberts) e a enfermeira Dulcy (Hagart) e o primo da esposa de Adrian, o filósofo Leopold (Ferrer) e Ariel Weynmouth (Farrow). Ariel não só já tivera proximidade de Andrew para lhe provocar uma paixão platônica como, ao mesmo tempo, desperta o interesse de Maxwell, que chega a tentar o suicídio quando se vê renegado. Com casamento marcado com Leopold, para o dia seguinte, Ariel marca um encontro à noite, tanto com Maxwell como com Adrian. Leopold percebe que a noiva não se encontra no quarto e vai ao bosque, atirando, sem maior gravidade, em Maxwell. Ao retornar, sucumbe aos encantos da enfermeira Dulcy e falece no momento do clímax. Seu espírito explode a máquina criada por Andrew e ruma para a floresta.
           Após o fracasso comercial de Memórias, o cineasta resolveu experimentar em áreas que ainda não havia se arriscado, como a comédia de costumes histórica. Trata-se também de seu primeiro filme junto à atriz que seria sua principal colaboradora nos dez anos seguintes: Mia Farrow. Mesmo que longe de conseguir a mesma graça de retratar a ciranda de amor de Sorrisos de uma Noite de Amor (1955) de Bergman, a quem presta tributo e  que, por sua vez, é inspirado em Sonhos de uma Noite de Verão, de Shakespeare, consegue ir além das pedantes comédias de costumes do estilo de James Ivory. Muito da bela atmosfera pastoral que Allen pretende com o filme deve-se a fotografia, bela e pictórica mas longe da exuberância, de Willis e a trilha sonora que utiliza composições de Mendelssohn. Roberts, que geralmente se contrapõe aos personagens vividos pelo cineasta, como um tipo mundano e conquistador, e aparece em quase todos os filmes do cineasta da década anterior, mais uma vez participa do elenco. No lúdico e, ao mesmo tempo irônico final, o filosófo materialista Leopold, que era cético com relação a qualquer manifestação paranormal, como espíritos, transforma-se em um deles. Orion. 88 minutos.

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